
Apresentadores de pelo menos dois canais da televisão estatal iraniana apareceram armados durante programas ao vivo no último fim de semana, em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio e à possibilidade de retomada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Em um dos casos, Hossein Hosseini recebeu, ao vivo, um treinamento básico em armas de fogo de um integrante mascarado da Guarda Revolucionária paramilitar. Durante a transmissão, ele simulou disparar contra a bandeira dos Emirados Árabes Unidos. A cena foi exibida pelo canal estatal Ofogh.
No Canal 3, a apresentadora Mobina Nasiri afirmou que recebeu uma arma enviada de uma manifestação na Praça Vanak, em Teerã. Segundo ela, o armamento foi encaminhado para que apresentadores aprendessem a manuseá-lo, dentro de uma convocação feita pelo governo iraniano. “Desta plataforma, declaro que estou pronta para sacrificar minha vida por este país”, afirmou.
Iranian TV tutorials: PK machine gun up next
Too hefty to fire in the studiohttps://t.co/GnzKWi0khZ pic.twitter.com/T46aHmeLfn
— RT (@RT_com) May 17, 2026
A escalada ocorre enquanto o preço do petróleo registra forte alta. Na madrugada desta segunda-feira (18), o barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 1,9% e ultrapassou os US$ 111. O valor representa uma disparada em relação ao fim de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã, quando a commodity era negociada a US$ 70 por barril.
Nos Estados Unidos, o petróleo de referência avançou 2,3% e ficou próximo de US$ 108 por barril. A alta reflete o temor dos investidores após o presidente Donald Trump voltar a ameaçar o Irã caso Teerã não aceite um acordo de paz.
Iran’s Channel 3 female presenter just went on live TV holding a gun pic.twitter.com/ts2OctxvIv
— Alireza Akbari (@itsalireza_akb) May 17, 2026
Em uma rede social, Trump escreveu que “para o Irã, o relógio está correndo, e é melhor eles se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles”. No dia 10, o presidente dos Estados Unidos já havia classificado como “totalmente inaceitável” uma contraproposta apresentada pelo regime iraniano a um plano de paz elaborado pela Casa Branca.
O mercado segue em alerta diante do risco ao fluxo global de energia, já que o Estreito de Ormuz permanece majoritariamente fechado. A região é considerada estratégica para o transporte de petróleo e gás. O clima piorou no fim de semana após um ataque de drone atingir uma área próxima a uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo a emissora israelense Canal 12, dezenas de aviões de carga dos Estados Unidos transportaram munições para Tel Aviv, capital de Israel, a partir de bases estadunidenses na Alemanha. O fluxo teria ocorrido nas últimas 24 horas, em meio às novas ameaças de Trump.
A emissora avaliou que a movimentação pode indicar uma preparação para eventual retomada dos ataques contra o Irã. No mesmo contexto, Israel estaria coordenando com os Estados Unidos uma possível nova ofensiva, segundo o jornal The Telegraph, que citou autoridades.
Em reunião com seu gabinete neste domingo (17), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “nossos olhos também estão abertos” em relação ao Irã e disse que “estamos preparados para qualquer cenário”.



