POLÍTICA

70% dos brasileiros enxergam sabotagem do Congresso contra o governo Lula

 relação entre o governo do presidente Lula (PT) e o Congresso Nacional é vista por 70% dos brasileiros como marcada mais pelo confronto do que pela colaboração, segundo pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo.

O levantamento mostra que apenas 20% dos entrevistados consideram que há cooperação entre Executivo e Legislativo. Outros 2% afirmam não enxergar nem confronto nem colaboração, enquanto 8% disseram não saber responder.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros nos dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026.

Crises políticas e derrotas ampliam desgaste

A percepção de conflito reflete uma sequência de embates entre o Palácio do Planalto e o Congresso ao longo do atual mandato do presidente Lula. O ápice recente ocorreu com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota histórica para o governo.

Desde 2023, o Congresso vem impondo reveses importantes ao Executivo. Naquele ano, parlamentares retiraram atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas. Em 2024, deputados e senadores derrubaram vetos presidenciais relacionados às saidinhas de presos e ao chamado “PL do Veneno”, ligado à flexibilização de regras sobre agrotóxicos.

Já em 2025, o Legislativo impediu mudanças nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), promovendo a primeira reversão de um decreto presidencial desde o governo Collor. O Congresso também bloqueou uma medida provisória que aumentava impostos.

As derrotas provocaram forte reação do PT e de setores governistas nas redes sociais, onde ganhou força o slogan “Congresso inimigo do povo”.

Neste ano, além de barrar Jorge Messias, o Senado também derrubou o veto do presidente Lula à redução de penas para acusados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Governo ainda consegue vitórias estratégicas

Apesar do ambiente de tensão, o governo Lula obteve vitórias relevantes no Congresso. Entre elas estão a aprovação da reforma tributária e do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O presidente também costurou um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar na votação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerada estratégica para a campanha de reeleição do petista.

No Senado, o governo tenta destravar a PEC da Segurança Pública, atualmente parada na Casa.

Segundo a pesquisa, entre os entrevistados que enxergam mais confronto do que colaboração entre Lula e o Congresso, 89% avaliam que essa relação é negativa para o Brasil. Apenas 10% consideram o embate algo positivo.

Já entre os que enxergam cooperação, 58% afirmam que a relação entre Executivo e Legislativo beneficia o país, enquanto 38% a veem de forma negativa.

Congresso também enfrenta desgaste popular

O Datafolha também revelou baixa avaliação da população em relação ao Congresso Nacional. O desempenho de deputados e senadores é considerado ruim ou péssimo por 37% dos entrevistados, enquanto apenas 15% classificam o trabalho parlamentar como ótimo ou bom.

A maior parcela, 43%, considera a atuação do Congresso regular.

A insatisfação é semelhante entre eleitores bolsonaristas e petistas. Entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 37% avaliam negativamente o Congresso. Entre os petistas, o índice também chega a 37%.

Os dados indicam maior descontentamento entre brasileiros de renda intermediária e com maior nível de instrução.

Escândalo do Banco Master agrava crise política

O desgaste do Congresso ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master, que atingiu recentemente figuras importantes da direita no Senado.

Segundo a Folha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter mantido conversas com Daniel Vorcaro, dono do banco, ao longo de 2025 para discutir financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro.

Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é suspeito de receber R$ 300 mil mensais do banco para defender interesses da instituição financeira — acusação que ele nega.

Mesmo diante da repercussão do caso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu barrar a criação de uma CPI para investigar o Banco Master. A decisão ocorreu após acordo com a oposição para pautar a derrubada do veto de Lula à proposta que reduz penas para condenados por golpismo.

Apesar disso, a instalação da CPI continua sendo defendida nas redes sociais tanto por petistas quanto por bolsonaristas.

A pesquisa também mostrou desgaste na avaliação do próprio governo federal. Após três anos e quatro meses de mandato, 39% dos brasileiros consideram a gestão Lula ruim ou péssima, enquanto 30% a avaliam como ótima ou boa. Outros 29% classificam o governo como regular.

Com 247

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