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Patrice Lumumba: quem é o heroi do Congo homenageado por torcedor na Copa do Mundo

Michel Nkuka Mboladinga, torcedor da RDC que Homenageou o falecido líder congolês Patrice Lumumba. Foto: Getty

A seleção da República Democrática do Congo ganhou um reforço simbólico nas arquibancadas de Guadalajara nesta quarta-feira, durante a partida contra a Colômbia pela segunda rodada do Grupo K da Copa do Mundo. Após a derrota na estreia para Portugal, o torcedor Michel Nkuka Mboladinga voltou a chamar a atenção ao permanecer imóvel durante o jogo, reproduzindo a pose de uma estátua em homenagem a Patrice Lumumba, um dos maiores líderes políticos da história africana.

Conhecido como “Lumumba Vea”, Mboladinga tornou-se um símbolo da torcida congolesa ao encenar, nos estádios, a mesma postura da estátua de Lumumba localizada em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. A homenagem desperta a curiosidade de muitos torcedores sobre a trajetória do homem que se transformou em ícone da luta anticolonial no continente africano.

Patrice Lumumba foi o principal líder político do movimento que conduziu a então colônia belga à independência em 1960. Nascido em 1925, estudou em escolas missionárias e trabalhou como funcionário dos correios e em cervejarias antes de se destacar como sindicalista, escritor e poeta. Seus textos denunciavam os efeitos da exploração colonial sobre os congoleses e outros povos africanos.

Patrice Lumumba dando entrevista. Foto: Reprodução

Em 1958, Lumumba ajudou a fundar o Movimento Nacional Congolês (MNC), partido que defendia a unidade nacional do país e se opunha à fragmentação territorial promovida por interesses coloniais. O crescimento das mobilizações populares pela independência levou a Bélgica a acelerar negociações políticas, culminando na Conferência de Bruxelas que definiu a emancipação do Congo em 30 de junho de 1960.

Com a independência, Lumumba assumiu o cargo de primeiro-ministro do novo país. Seu governo, porém, durou apenas alguns meses. Em meio às tensões da Guerra Fria, passou a ser visto com hostilidade por potências ocidentais devido à sua aproximação com a União Soviética durante a crise política que se seguiu à independência.

Em janeiro de 1961, aos 35 anos, Lumumba foi assassinado. Investigações posteriores apontaram o envolvimento de autoridades da Bélgica e a CIA na conspiração que levou à sua execução. Seu corpo foi posteriormente dissolvido em ácido para impedir que seu túmulo se tornasse um local de peregrinação política.

Estátua em homenagem a Patrice Lumumba. Foto: ARSENE MPIANA/AFP/Getty Images

Apesar da tentativa de apagar seu legado, Patrice Lumumba tornou-se um mártir nacional e um dos maiores símbolos da luta contra o colonialismo e o imperialismo na África. Décadas após sua morte, sua imagem continua inspirando movimentos políticos e sociais em diversos países do continente.

É esse legado que Michel Nkuka Mboladinga busca representar nas arquibancadas da Copa do Mundo. Ao permanecer imóvel durante as partidas da RD Congo, o torcedor presta homenagem a uma das figuras mais influentes da história africana e relembra a luta que levou seu país à independência.

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