POLÍTICA

Ministro da Justiça tenta resolver atrito entre Andrei Rodrigues e Mendonça

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro do STF André Mendonça. Foto: Reprodução

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, deve se reunir nos próximos dias com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tentar reduzir o conflito com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre o Banco Master e fraudes no INSS.

A articulação surgiu após uma reunião de Wellington com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e Mendonça. O objetivo é definir condições que preservem o trabalho dos investigadores sem ampliar os atritos entre a PF e o gabinete do ministro no STF.

A tensão ganhou dimensão pública na quinta-feira (06), quando os 27 superintendentes estaduais da Polícia Federal divulgaram uma nota em defesa da autonomia da corporação. No texto, eles afirmaram que a atividade investigativa da PF não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao cumprimento da lei.

Os superintendentes reagiram a determinações de Mendonça, entre elas a proibição de agentes e delegados repassarem informações sobre os inquéritos aos superiores hierárquicos e a ordem para enviar ao STF dados brutos obtidos na investigação sobre o INSS.

Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça. Foto: reprodução

Medidas de Mendonça e condutas da PF alimentaram a crise

Interlocutores de Mendonça atribuem parte das restrições à desconfiança sobre a atuação de Andrei Rodrigues. Entre os episódios citados está a participação do chefe da PF em uma noite de uísque e charutos promovida em Londres por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Outro foco de suspeita envolveu o senador Jaques Wagner (PT-BA), que pediu audiência a Mendonça no mesmo dia em que a PF solicitou autorização para uma operação contra ele no caso Master. Imagens mostraram Wagner e Andrei conversando em um evento no Palácio do Planalto, circunstância que agravou o mal-estar.

Mendonça também teria reclamado da troca do delegado responsável pelo inquérito do INSS, transferido para outra coordenação da PF sem comunicação prévia ao gabinete do STF. O ministro cobrou ainda relatórios sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, autorizada em janeiro e encaminhada no fim de julho.

No fim de julho, Andrei Rodrigues enviou ofício à Advocacia-Geral da União pedindo um “remédio judicial” contra medidas que a PF considera interferência em sua independência funcional. A corporação questiona, entre outros pontos, o prazo de 60 dias para analisar o material apreendido, o envio de todos os atos ao gabinete de Mendonça e o aviso prévio sobre mudanças na equipe investigativa.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo