POLÍTICA

O erro que pode custar a candidatura de Flávio Bolsonaro em encontro na Faria Lima

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca na próxima terça-feira (19) em São Paulo para reuniões e almoços com empresários, banqueiros e operadores do mercado financeiro. Os encontros foram marcados antes da divulgação dos áudios em que ele aparece negociando recursos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro (PL). Agora, a agenda será usada para tentar conter o desgaste sobre sua pré-candidatura à Presidência em 2026.

Originalmente, segundo o Globo, os compromissos tinham como objetivo reforçar Flávio como nome preferido de setores da Faria Lima na sucessão presidencial. Depois da revelação da relação de “irmão” entre o senador e Vorcaro, porém, a avaliação nos bastidores é que os encontros passaram a ter outro peso: reduzir danos e preservar sua viabilidade política.

A tarefa não deve ser simples. Segundo interlocutores citados no texto, alguns executivos financeiros já começaram a buscar justificativas para evitar reuniões com o senador neste primeiro momento, enquanto ainda há incerteza sobre o impacto do caso no cenário eleitoral.

O principal problema de Flávio Bolsonaro com integrantes do alto empresariado é de credibilidade. Nos últimos meses, mais de um banqueiro da Faria Lima teria ouvido do senador a versão de que ele não mantinha relação com Vorcaro e que só teria visto o dono do Banco Master pessoalmente uma única vez.

O caso envolve R$ 61 milhões destinados a “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Os áudios divulgados pelo Intercept Brasil mostraram Flávio cobrando repasses de Vorcaro para a produção. A partir daí, o que seria uma agenda de aproximação com o mercado passou a ser interpretado como uma tentativa de sobrevivência política.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e Jim Caviezel durante as gravações de “Dark Horse”. Foto: reprodução

A crise também atingiu a percepção de parte do empresariado sobre a candidatura do senador. O caso foi discutido por empresários brasileiros durante a Brazil Week, em Nova York, e ampliou dúvidas sobre Flávio Bolsonaro como nome competitivo da direita contra Lula (PT) em 2026.

A turbulência coincidiu com uma reação negativa do mercado na quarta-feira (13), dia em que os áudios vieram à tona. O Ibovespa caiu mais de 1,8%, enquanto o dólar subiu acima de 2% e voltou a encostar em R$ 5,00. Nos bastidores, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) passou a ser mais citado por setores da Faria Lima como alternativa presidencial.

A estratégia da pré-campanha de Flávio é tentar demonstrar normalidade, ampliar viagens, intensificar agendas públicas e apresentar ao empresariado uma plataforma liberal, com redução de impostos e desburocratização. Aliados também discutem uma ofensiva contra o governo federal para tentar deslocar parte do desgaste provocado pelo caso Banco Master.

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