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VÍDEO – Apresentadores de TV no Irã surgem com armas ao vivo: “Sacrificar a vida pelo país”

Mobina Nasiri e Hossein Hosseini com armas na TV. Foto: reprodução

Apresentadores de pelo menos dois canais da televisão estatal iraniana apareceram armados durante programas ao vivo no último fim de semana, em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio e à possibilidade de retomada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Em um dos casos, Hossein Hosseini recebeu, ao vivo, um treinamento básico em armas de fogo de um integrante mascarado da Guarda Revolucionária paramilitar. Durante a transmissão, ele simulou disparar contra a bandeira dos Emirados Árabes Unidos. A cena foi exibida pelo canal estatal Ofogh.

No Canal 3, a apresentadora Mobina Nasiri afirmou que recebeu uma arma enviada de uma manifestação na Praça Vanak, em Teerã. Segundo ela, o armamento foi encaminhado para que apresentadores aprendessem a manuseá-lo, dentro de uma convocação feita pelo governo iraniano. “Desta plataforma, declaro que estou pronta para sacrificar minha vida por este país”, afirmou.

A escalada ocorre enquanto o preço do petróleo registra forte alta. Na madrugada desta segunda-feira (18), o barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 1,9% e ultrapassou os US$ 111. O valor representa uma disparada em relação ao fim de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã, quando a commodity era negociada a US$ 70 por barril.

Nos Estados Unidos, o petróleo de referência avançou 2,3% e ficou próximo de US$ 108 por barril. A alta reflete o temor dos investidores após o presidente Donald Trump voltar a ameaçar o Irã caso Teerã não aceite um acordo de paz.

Em uma rede social, Trump escreveu que “para o Irã, o relógio está correndo, e é melhor eles se mexerem, RÁPIDO, ou não sobrará nada deles”. No dia 10, o presidente dos Estados Unidos já havia classificado como “totalmente inaceitável” uma contraproposta apresentada pelo regime iraniano a um plano de paz elaborado pela Casa Branca.

O mercado segue em alerta diante do risco ao fluxo global de energia, já que o Estreito de Ormuz permanece majoritariamente fechado. A região é considerada estratégica para o transporte de petróleo e gás. O clima piorou no fim de semana após um ataque de drone atingir uma área próxima a uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos.

Segundo a emissora israelense Canal 12, dezenas de aviões de carga dos Estados Unidos transportaram munições para Tel Aviv, capital de Israel, a partir de bases estadunidenses na Alemanha. O fluxo teria ocorrido nas últimas 24 horas, em meio às novas ameaças de Trump.

A emissora avaliou que a movimentação pode indicar uma preparação para eventual retomada dos ataques contra o Irã. No mesmo contexto, Israel estaria coordenando com os Estados Unidos uma possível nova ofensiva, segundo o jornal The Telegraph, que citou autoridades.

Em reunião com seu gabinete neste domingo (17), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “nossos olhos também estão abertos” em relação ao Irã e disse que “estamos preparados para qualquer cenário”.

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