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Estupro de palestinos é generalizado nas prisões de Israel, diz o New York Times

O agricultor Suhaib Abualkebash, de 29 anos

Um colunista de opinião do New York Times denunciou que detentos palestinos foram submetidos a violência sexual generalizada por guardas prisionais, soldados, colonos e interrogadores israelenses, citando entrevistas com ex-detentos e revelações de grupos de direitos humanos.

Em artigo publicado no domingo (10), intitulado “O silêncio que cerca o estupro de palestinos”, Nicholas Kristof contou ter entrevistado 14 homens e mulheres palestinos que descreveram agressões sexuais e outros abusos durante a detenção ou ataques de forças e colonos israelenses.

Kristof escreveu que não havia “evidência de que os líderes israelenses ordenassem estupros”, mas argumentou que as autoridades israelenses construíram um “aparelho de segurança em que a violência sexual se tornou um dos procedimentos operacionais padrão”, citando um relatório da ONU.

O artigo inclui depoimentos de ex-detentos que alegaram estupros, espancamentos, ameaças de violência sexual e humilhação durante o encarceramento. Kristof citou relatórios de organizações, incluindo Euro-Med Human Rights Monitor, Save the Children, B’Tselem e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, documentando alegações de abuso sexual e maus-tratos de detentos palestinos.

Em um remoto povoado beduíno agrícola no Vale do Jordão, o colunista encontrou um agricultor de 29 anos, Suhaib Abualkebash, que relatou como um grupo de cerca de 20 colonos invadiu as casas de sua família, espancando adultos e crianças, roubando joias e 400 ovelhas — e também cortou suas roupas com uma faca de caça, depois apertou fortemente seu pênis com abraçadeiras plásticas e o puxou. “Eu temia que cortassem meu pênis”, contou Abualkebash. “Achei que aquele era o meu fim.”

Alguns podem se perguntar se palestinos fabricaram acusações de agressão sexual para difamar Israel. Para Kristof, isso parece improvável, pois nenhuma das pessoas entrevistadas o procurou ou sabia com quem mais ele estava falando, e elas relutavam em se manifestar. Há evidências de que os abusos sexuais israelenses se tornaram tão frequentes que as normas estão mudando e as vítimas palestinas estão se tornando um pouco mais dispostas a falar.

“Durante seis meses eu não consegui falar sobre isso, nem com minha família”, disse Mohammad Matar, uma autoridade palestina que contou ter sido despido por colonos, espancado e cutucado nas nádegas com um bastão enquanto falavam sobre estuprá-lo. Durante o ataque, os agressores publicaram nas redes sociais uma fotografia dele vendado e reduzido às roupas íntimas.

Kristof também fez referência a um relatório da ONU de 49 páginas, publicado no ano passado, que acusou Israel de submeter palestinos “sistematicamente” a “tortura sexualizada”. O artigo afirmou ainda que alguns ex-detentos foram avisados pelas autoridades israelenses para não falarem publicamente sobre os supostos abusos após sua libertação.

“Ninguém escapou de agressões sexuais”, disse um jornalista de Gaza, citado pelo colunista. O jornalista relatou que, em uma ocasião, foi imobilizado, despido, vendado e algemado antes de um cão ser trazido. De acordo com seu relato, um adestrador falando hebraico encorajou o animal, que então o montou. “Eles estavam usando câmeras para tirar fotos, e eu ouvi suas risadas e gargalhadas”, disse ele, afirmando que tentou afastar o animal em vão.

Múltiplos relatos sugerem que a violência sexual também foi direcionada a crianças palestinas. Kristof disse ter localizado e entrevistado três meninos que estiveram presos, e cada um descreveu ter sofrido abuso sexual.

O colunista argumentou que, embora os colonos não sejam um braço oficial do Estado da mesma forma que o sistema prisional, o Exército israelense está protegendo cada vez mais ataques de colonos a aldeias palestinas, enquanto a violência sexual é usada para forçar os palestinos a fugir. “A violência sexualizada é usada para pressionar as comunidades” a deixarem suas terras, diz um relatório do West Bank Protection Consortium.

Desde o início da guerra em Gaza em outubro de 2023, Israel matou mais de 72 mil pessoas e feriu mais de 172 mil, segundo dados citados. O Exército e os colonos israelenses também intensificaram operações na Cisjordânia, resultando em mais de 1.150 mortos e quase 22 mil prisões.

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