
Em artigo publicado no Estadão neste domingo (10), o CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, avalia que Lula chega à pré-campanha de 2026 com desgaste, rejeição elevada e dificuldade para renovar expectativas, mas ainda distante de um cenário de derrota consolidada.
Segundo Denicoli, dados coletados pela AP Exata em cerca de 15 milhões de publicações nas redes mostram recuperação parcial da avaliação do governo e revelam uma oposição fragmentada, dividida entre diferentes correntes da direita, sem um nome capaz de unificar plenamente o campo conservador. LEIA trechos do artigo:
Há uma grande diferença entre um governo desgastado e um governo derrotado. Lula chega à pré-campanha de 2026 com rejeição alta, dificuldade para vender novas esperanças e claros sinais de fadiga na articulação política. Apesar disso, a oposição também enfrenta limitações que ajudam a entender por que a eleição continua imprevisível.
Uma das ilusões confortáveis dos opositores do governo é imaginar que o eleitor que escolheu um nome conservador no primeiro turno aceitará automaticamente qualquer outro nome da direita no segundo turno, contra Lula. Essa leitura confunde o comportamento dos grupos políticos com o comportamento do eleitor comum. Lideranças, partidos e influenciadores podem se alinhar por cálculo eleitoral. O eleitor, não necessariamente. […]
Ou seja, em setembro o governo estava em situação muito mais frágil, depois recuperou parte do terreno perdido e agora entrou em uma zona de estabilidade. Essa melhora não veio apenas por mérito próprio do governo. Grande parte dela se explica pela crise aberta com a taxação de Donald Trump sobre produtos brasileiros, que permitiu a Lula ocupar o discurso de defesa nacional e colocou setores da direita bolsonarista em posição desconfortável, por apoiar ou relativizar uma medida vista como prejudicial ao Brasil. […]
A disputa, portanto, não será apenas entre Lula e a direita. Será também uma disputa entre diferentes versões de direita que tentam ocupar o lugar de alternativa ao PT, mas carregam contradições próprias. E, neste momento, todas gastam energia disputando espaço dentro do próprio campo.
Se a oposição seguir se desgastando em conflitos internos, poderá dar a Lula exatamente o que ele precisa neste momento. Não uma nova onda de grande popularidade, porque sua alta rejeição impede, mas sim a chance de se apresentar como a alternativa de menor risco, diante de um campo adversário que ainda não resolveu suas próprias contradições.



