MUNDOECONOMIA

CEO da maior gestora do mundo elogia Pix: “Inveja do Banco Central do Brasil”

Larry Fink, CEO da BlackRock. Foto: reprodução

Larry Fink, CEO da BlackRock, afirmou que o Brasil tem vantagens competitivas importantes para a nova economia digital e elogiou o Pix, criado pelo Banco Central. A declaração foi feita nesta segunda-feira (11), durante evento promovido pela Amcham e pela BlackRock na sede da gestora em Nova York.

“Tenho inveja do que o Banco Central do Brasil fez ao criar o Pix. Gostaria que tivéssemos isso aqui”, disse Fink. Ao longo da conversa, o executivo citou o Brasil como um dos países emergentes mais bem posicionados para aproveitar a digitalização financeira, a tokenização de ativos, a expansão da inteligência artificial e a demanda global por energia.

Segundo o CEO da BlackRock, poucos países conseguiram criar uma infraestrutura digital com adesão tão ampla da população. “O Brasil tem uma vantagem”, afirmou. Para ele, os brasileiros já desenvolveram uma “mentalidade digital”, o que pode acelerar mudanças no sistema financeiro e no mercado de capitais.

Fink também afirmou que o Pix ajudou a formalizar parte da economia brasileira. “O Pix realmente permitiu transformar a economia informal em formal”, disse. “Menos fraude, menos corrupção”.

O executivo destacou ainda o avanço do país na adoção de tecnologias financeiras e afirmou que o Brasil já aparece entre os líderes globais em pagamentos digitais e uso de criptomoedas. Na avaliação dele, a próxima fase da transformação financeira será a tokenização de ativos.

“Quando falo de digitalização, estou falando de tokenizar ações, tokenizar títulos, tornar tudo digital”, afirmou. “É para onde o mundo está indo — e isso vai acontecer muito rapidamente”.

Larry Fink, CEO da BlackRock, e Armando Senra, head de Americas. Foto: Luciano Pádua

Fink comparou o momento atual da tokenização aos primeiros anos da internet comercial. “Estamos nos primeiros dias disso”, disse. Ele afirmou que Brasil e Índia têm uma vantagem estrutural por já contarem com pagamentos instantâneos e infraestrutura digital consolidada. “Brasil e Índia são os únicos países que realmente têm essa mentalidade digital”, afirmou.

O CEO da BlackRock também relacionou o potencial brasileiro à corrida global por infraestrutura energética impulsionada pela inteligência artificial. Segundo ele, países com abundância de recursos naturais e geração elétrica competitiva terão papel estratégico nos próximos anos.

“Em países como o Brasil, que têm abundância de sol e hidrocarbonetos, isso pode representar um florescimento para o Brasil”, afirmou. “Se não tivermos energia barata suficiente, será difícil para um continente ou um país competir”.

Fink também apontou Brasil e México como destinos relevantes de capital internacional na América Latina. “Acho que os dois lugares para onde o capital vai se direcionar, no geral, serão Brasil e México”, disse.

Apesar do otimismo, o executivo defendeu que o Brasil amplie a participação de investidores locais no financiamento da economia: “Mais e mais países estão dizendo: eu não quero ficar tão exposto à importação de capital para fazer meu país crescer”.

Para Fink, o país precisa transformar poupadores em investidores, especialmente por meio de investimentos de longo prazo e sistemas de aposentadoria privada. “Se você está na renda fixa, você é um inquilino”, afirmou. “Você não está crescendo junto com o seu país”. Em seguida, resumiu: “Precisamos transformar poupadores em investidores”.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo