POLÍTICA

Greve na educação de São Paulo denuncia sucateamento e ameaça à primeira infância

Manifestação de professores municipais em SP – Abraão Cruz/TV Globo

Profissionais da rede municipal de ensino de São Paulo entraram em greve em meio a denúncias de precarização das escolas, falta de funcionários e ataques à educação infantil. O movimento afirma que a paralisação ocorre após sucessivas tentativas de diálogo com a Prefeitura sem respostas concretas para problemas estruturais que afetam alunos, famílias e trabalhadores da educação.

Segundo educadores do movimento Escolas em Luta, a rede enfrenta carência de professores, auxiliares técnicos de educação (ATEs), agentes de vida escolar (AVEs), inspetores e equipes de apoio. Também são relatados casos de salas superlotadas, calor excessivo, problemas de infraestrutura, insegurança nas unidades e adoecimento crescente de profissionais.

No centro das críticas está o Projeto de Lei 354/2026, enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal de São Paulo. Um dos pontos mais contestados do texto prevê a transformação opcional do cargo de Professor de Educação Infantil (PEI) em Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I (PEIF).

Para os profissionais da área, a mudança representa mais do que uma alteração administrativa. Educadores afirmam que a proposta ameaça a existência do cargo de PEI, criado ao longo de décadas de mobilização em defesa da educação infantil especializada.

Os PEIs atuam diretamente com bebês e crianças pequenas, especialmente na faixa de 0 a 3 anos, e possuem formação voltada às especificidades da primeira infância, incluindo desenvolvimento infantil, cuidado e práticas pedagógicas próprias dessa etapa educacional.

Câmara Municipal de São Paulo
Câmara Municipal de São Paulo – Divulgação

Entre os principais temores apontados pela categoria estão:

* enfraquecimento gradual do cargo de PEI;
* possível fim de concursos específicos para educação infantil;
* sobrecarga de trabalho;
* perda da identidade profissional da categoria;
* precarização da educação pública;
* avanço de terceirizações;
* redução de profissionais efetivos;
* piora no atendimento às crianças e às famílias.

Os profissionais também alertam para impactos funcionais e financeiros. Atualmente, os PEIs possuem jornada J30. Segundo o movimento, a transformação para PEIF não garante a manutenção da Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), principalmente para professores readaptados e profissionais em módulo, o que poderia resultar em perdas salariais.

A categoria afirma ainda que a greve não se resume à questão salarial. A proposta apresentada pela Prefeitura prevê reajuste de 3,51%, parcelado até 2027, sem reposição das perdas acumuladas pela inflação, segundo os trabalhadores.

Além do reajuste, os profissionais reivindicam melhores condições de trabalho, redução do número de crianças por agrupamento, valorização profissional, inclusão adequada e investimentos na estrutura das escolas.

O movimento convoca a população a acompanhar a tramitação do PL 354/2026 e participar das mobilizações previstas para os próximos dias na Câmara Municipal de São Paulo.

Uma audiência pública sobre o projeto está marcada para terça-feira, 12 de maio, às 10h. Já a segunda votação do texto deve ocorrer na quarta-feira, 13 de maio.

Educadores também promovem um abaixo-assinado contra o projeto e defendem que a mobilização da sociedade é fundamental para impedir o que classificam como um processo de desmonte da educação pública municipal.

Confira algumas imagens:

 

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