
A Polícia Federal afirma ter encontrado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro conversas de WhatsApp que, na avaliação dos investigadores, mostram sua atuação direta na orientação de subordinados do Banco Master para produzir documentos fraudulentos usados na venda de carteiras de crédito ao Banco Regional de Brasília (BRB).
O grupo, chamado “INFO – BRB”, reunia Vorcaro, Alberto Félix, então superintendente de tesouraria do Master, e Ângelo Silva, à época diretor financeiro. Segundo o Estadão, o entendimento da PF é que os diálogos indicam tentativa de ajustar documentos apresentados ao BRB e ao Banco Central em operações investigadas por suspeita de fraude.
A investigação apura aportes de pelo menos R$ 12,2 bilhões do BRB no Banco Master e suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do banco público de Brasília, Paulo Henrique Costa, para favorecer interesses de Vorcaro.
Em 23 de junho de 2025, quase três meses após o BRB apresentar proposta de compra de uma fatia do Master, Vorcaro cobrou dos subordinados o envio de um extrato da conta das carteiras de crédito consignado atribuídas à Tirreno, empresa que os investigadores suspeitam ser de fachada.

Ao analisar o documento, o banqueiro reclamou dos valores. “Pessoal. Saldo não pode ser 6.400!!! Era 7.200. Valor da recompra”, escreveu, em referência a R$ 6,4 bilhões e R$ 7,2 bilhões. Alberto Félix respondeu que a documentação considerava alguns débitos. Vorcaro rebateu: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”.
Para a PF, a conversa mostra manipulação do extrato bancário. “O primeiro aspecto a ser destacado aqui é a manipulação do valor final do extrato relativo ao pagamento da Tirreno pelo pagamento dos créditos originados e posteriormente cedidos ao BRB. Conforme verificado, restou constatado que o extrato da conta vinculada mantida no Banco Master -destinada ao pagamento das carteiras cedidas- deveria apresentar rendimento ou remuneração indexada ao CDB emitido pelo próprio Banco Master”, escreveu a corporação.
O relatório também aponta divergência entre os valores discutidos no grupo e o documento final entregue ao Banco Central. “Chama atenção, inclusive, que no extrato final, apresentado ao Bacen (Banco Central), tenha sido fabricado um terceiro valor, que não corresponde nem aos 6.400 nem aos 7.200”, diz a PF. O extrato apresentado registrou R$ 6,6 bilhões.
Em outra conversa, de 13 de maio de 2025, Vorcaro enviou uma lista de inconsistências detectadas pelo BRB nas carteiras cedidas pelo Master e pediu documentos que, segundo a PF, tentariam dar aparência de legalidade ao negócio. Félix respondeu: “Vou pedir para reconhecer firma dos contratos e aí já te enviamos todos”.
Ao tratar da necessidade de comprovantes de averbação dos contratos, Félix afirmou: “Esse é difícil”. Dias depois, Vorcaro voltou a cobrar a documentação. “Você consegue mobilizar todos aí pra responderem esses pontos (do) brb?”, escreveu. Em seguida, diante da demora, pediu: “Não dá pra fazer um mutirão de emissão no fds (fim de semana)?”
Segundo a PF, a revisão dos documentos ocorria apenas em maio de 2025, embora os negócios fossem de janeiro do mesmo ano e os contratos já devessem estar assinados. Fonte: texto enviado pelo usuário.



