POLÍTICA

VÍDEO – Lula cobra telefonema de Trump: “Me deve uma reunião”

O presidente Lula em evento em Catalão. Foto: Divulgação

O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (2) que aguarda um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para esclarecer a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante um evento em Catalão (GO), após a divulgação do relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que sugeriu a medida.

Ele demonstrou insatisfação com o anúncio e afirmou que a proposta contraria o entendimento firmado entre os dois governos nas últimas semanas. Segundo o presidente, havia um compromisso para que ministros dos dois países negociassem alternativas antes de qualquer decisão definitiva.

Durante o discurso, o petista declarou: “Quem anunciou isso não foi você [Trump] nem eu. Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque nós demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência”.

O principal ponto de incômodo para o governo brasileiro é o momento em que a proposta foi apresentada. O anúncio ocorreu cerca de um mês após o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, quando foi criado um grupo bilateral para discutir os entraves comerciais e buscar uma solução em até 30 dias.

Lula também afirmou que a proposta não estaria alinhada com o compromisso assumido pelos dois presidentes durante as negociações. “Esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse. Em seguida, acrescentou: “Porque nós dois combinamos 30 dias, até 15 de julho, para poder ter uma resposta do que nós propusemos”.

Nos bastidores do governo, integrantes da equipe federal avaliam que o principal alvo do relatório americano é o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos aparece repetidamente no documento do USTR e também foi tema de manifestações públicas do governo brasileiro após a divulgação da proposta.

Ao comentar o assunto, Lula voltou a defender o mecanismo criado pelo Banco Central. “A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas de cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil, acham que o Pix vai acabar com isso –e o Pix vai acabar mesmo porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada, é só clicar.”

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não pretende discutir alterações relacionadas ao sistema de pagamentos. “O Pix, como esse símbolo maior da nossa soberania financeira, será protegido pelo governo do presidente Lula e não está em questão para debate, declarou.

Em nota oficial, o governo ressaltou que “O Pix é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema”.

Após reunião com integrantes da área econômica, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou ter recebido com “indignação” a recomendação de novas tarifas e classificou a medida como “injusta”.

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