POLÍTICA

Novo tarifaço de Trump deve atingir 21% das exportações para os EUA, diz governo

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ministro Márcio Elias Rosa, da Indústria e Comércio, afirmou nesta terça (2) que a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa sobre produtos brasileiros poderá atingir cerca de 21% das exportações nacionais para o mercado americano. Segundo ele, outros 25% das vendas já estão sujeitos a sobretaxas relacionadas a aço, alumínio e autopeças, enquanto 54% dos produtos ficaram fora da nova proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Após reunião do alto escalão do governo, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como injusta e afirmou que o Brasil trabalhará para impedir sua implementação. “Sempre que o diálogo avança, falsos patriotas, sabotadores, colocam seus interesses eleitorais acima do interesse público”, declarou.

Segundo Alckmin, a balança comercial é favorável aos Estados Unidos e há espaço para negociação até a divulgação do relatório final, prevista para 15 de julho. O governo também contestou as justificativas apresentadas por Washington.

Alckmin afirmou que o Brasil possui dezenas de mecanismos de combate à corrupção e disse que “não há a menor lógica” em incluir o Pix entre os motivos para a taxação. Já integrantes da equipe econômica classificaram o sistema de pagamentos instantâneos como um tema fora de negociação. “É o maior símbolo da nossa soberania financeira”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: Reprodução

Em nota oficial, o governo relacionou a investigação comercial à atuação da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. O texto menciona “falsos patriotas” que estariam atuando contra os interesses nacionais.

Estimativas de economistas apontam impactos sobre produtos industrializados. Segundo cálculos da consultoria MB Associados, máquinas e equipamentos, produtos de madeira, transformadores, plásticos, borracha, têxteis e calçados estão entre os segmentos mais vulneráveis. A projeção indica que até 27% das exportações brasileiras aos EUA poderiam ser afetadas.

A XP estima que cerca de US$ 9,5 bilhões (R$ 47,7 bilhões) em exportações brasileiras estariam sujeitos à nova tarifa, o equivalente a aproximadamente 25% do total vendido aos Estados Unidos. Caso a proposta seja implementada integralmente, a tarifa média efetiva sobre os produtos brasileiros subiria de 12,2% para 18,5%.

Diversos produtos ficaram fora da lista de sobretaxação. Entre eles estão carne bovina, suco de laranja, castanhas, frutas tropicais, fertilizantes e itens da indústria aeronáutica.

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