GEOPOLÍTICA

Ex-imigrante em situação irregular, brasileiro assumidamente gay é eleito deputado na Flórida

Obrasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida após uma trajetória que inclui cerca de 15 anos em situação migratória irregular nos Estados Unidos. Nascido em Duque de Caxias (RJ) e abertamente gay, ele conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado pelo Partido Democrata.

Sousa-Lazaballet venceu a republicana Bonnie Jackson com cerca de 63% dos votos, na região metropolitana de Orlando. A disputa ocorreu nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as midterms, cuja votação se encerrou na terça-feira (3).

Vitória reúne três marcos históricos

A eleição do brasileiro reúne três feitos inéditos:

  • Primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Flórida;
  • Primeiro imigrante abertamente gay eleito para o Legislativo estadual da Flórida;
  • Primeiro ex-beneficiário do DACA a integrar um Legislativo estadual nos Estados Unidos.

O DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals) foi criado durante o governo Barack Obama para oferecer proteção temporária contra a deportação a imigrantes que haviam entrado nos EUA antes dos 16 anos e tinham até 31 à época do programa. A iniciativa também concedeu autorização para trabalhar legalmente no país.

Os beneficiários ficaram conhecidos como dreamers, os sonhadores. Sousa-Lazaballet recebeu a permissão para trabalhar aos 26 anos, antes de obter o green card e, posteriormente, a cidadania estadunidense.

Filho de empregada doméstica, chegou aos EUA aos 14 anos

Filho de mãe solo, uma empregada doméstica natural do Ceará, Sousa-Lazaballet foi levado aos Estados Unidos em 2001, aos 14 anos, pela irmã mais velha, que havia emigrado para a Flórida seis anos antes. Ele viajou com visto de turista, já sem planos de retornar ao Brasil.

Depois de viver cerca de 15 anos em situação migratória irregular e ser beneficiado pelo DACA, obteve o green card em 2020, por meio de petição familiar. Em 2021, conquistou a cidadania estadunidense.

A experiência como imigrante também marcou sua entrada na política. Envolvido com o movimento dreamer desde 2006, trabalhou por cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer.

“Cheguei nos EUA com 14 anos, literalmente com uma mala, um coração cheio de sonhos e nada mais”, disse ao site G1. “Foi justamente por causa desse processo tão difícil, de ser uma pessoa imigrante nesse país, que eu me envolvi com a política.”

Republicana atacou sua condição de imigrante

Durante a campanha, Bonnie Jackson atacou Sousa-Lazaballet por sua condição de imigrante. Entre os eleitores, porém, sua trajetória teve recepção oposta. “Minha história de superação indica que eu sei o que é sofrer e ter que lutar pelo sonho americano”, afirmou.

Sua plataforma se concentrou em enfrentar o aumento do custo de vida, ampliar a oferta de moradias acessíveis, fortalecer o financiamento das escolas públicas e melhorar o acesso aos serviços de saúde na região metropolitana de Orlando.

A vitória é vista como símbolo de representatividade para a comunidade imigrante e para a população LGBTQIA+, especialmente em um estado que, nos últimos anos, tem sido palco de disputas acirradas sobre direitos civis e políticas migratórias.

Nas redes sociais, o deputado eleito celebrou:

“Minha história é o Sonho Americano: eu vim para cá sem documentos, sem nada em meu nome, e agora terei o incrível privilégio de lutar pelos meus amigos e vizinhos como um líder eleito.”

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