GEOPOLÍTICA

Trump pode ser derrotado hoje em novo baque para a extrema-direita mundial

Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) eleições de meio de mandato que podem representar uma importante derrota política para o presidente Donald Trump e sua agenda de extrema direita. Com o controle das duas casas do Congresso em disputa, os democratas chegam à votação com vantagem nas pesquisas e a possibilidade de impor novos limites ao governo republicano. As informações são da agência Reuters.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (2) apontou que 46% dos eleitores registrados pretendiam votar em candidatos democratas ao Congresso, contra 38% que declararam preferência pelos republicanos. A vantagem de oito pontos percentuais reforça as expectativas de que a oposição possa recuperar o controle da Câmara dos Representantes, embora a disputa pelo Senado permaneça mais difícil.

A mobilização eleitoral também chama a atenção. Segundo o Election Lab da Universidade da Flórida, aproximadamente 57 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até a tarde de segunda-feira, superando os 45 milhões de votos antecipados registrados durante toda a eleição de meio de mandato de 2022.

Uma vitória democrata em qualquer uma das casas legislativas poderia dificultar a aprovação de propostas do governo Trump e abrir caminho para investigações parlamentares sobre sua administração. Caso conquistem o Senado, os democratas também passariam a ter condições de bloquear indicações presidenciais para o Judiciário federal, incluindo eventuais nomeações para a Suprema Corte.

Disputa no Michigan expõe polarização política

Uma das disputas mais acompanhadas ocorre no Michigan, onde o democrata Abdul El-Sayed enfrenta o republicano Mike Rogers por uma vaga no Senado.

Médico e ex-integrante da administração de saúde pública, El-Sayed tenta se tornar o primeiro muçulmano eleito senador nos Estados Unidos. Filho de imigrantes egípcios e nascido no Michigan, ele foi alvo de ataques de Trump e de outros republicanos, que questionaram sua lealdade ao país e o acusaram, sem apresentar provas, de simpatizar com organizações terroristas.

El-Sayed classificou os questionamentos sobre sua lealdade como “vergonhosos” e procurou apresentar sua candidatura como uma alternativa à polarização política.

“Acredito que temos a oportunidade de superar essas divisões — de geografia, raça, orientação sexual, identidade de gênero e fé — para construir juntos aquilo que só podemos ter juntos”, declarou durante um evento de campanha.

O republicano Mike Rogers, por sua vez, afirmou à Fox News que seu adversário seria “simplesmente extremista demais”. Em um comício, declarou que a disputa não envolve a religião dos candidatos, mas suas ideias e orientações políticas.

A campanha democrata ganhou impulso financeiro na reta final. Segundo a equipe de El-Sayed, foram arrecadados US$ 2,4 milhões apenas no domingo, principalmente por meio de pequenas doações.

Suprema Corte rejeita tentativa do governo Trump de barrar votos

Na Califórnia, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou uma tentativa do governo Trump de impedir temporariamente a contagem de cédulas enviadas pelo correio por mais de 20 mil eleitores registrados.

O governo federal alegava que essas pessoas poderiam não possuir cidadania americana. As autoridades californianas contestaram a iniciativa, argumentando que ela poderia retirar o direito de voto de milhares de cidadãos com base em suspeitas imprecisas e procedimentos sujeitos a erros.

Um juiz federal também havia determinado que o governo não poderia obrigar o estado a separar as cédulas dos eleitores incluídos nas listas questionadas.

A decisão representa um revés judicial para a administração republicana na reta final da campanha, em um contexto de disputas sobre regras eleitorais e procedimentos de apuração.

Trump tenta mobilizar eleitores republicanos

Diante do risco de perder apoio no Congresso, Trump intensificou seus apelos para que os eleitores republicanos compareçam às urnas.

Em entrevista por telefone à Fox News, o presidente pediu que seus apoiadores votassem como se ele próprio estivesse disputando a eleição.

“Temos que votar. Se o nosso pessoal votar, venceremos por uma margem esmagadora”, afirmou.

Segundo a Casa Branca, Trump participou de eventos em 20 estados durante os 32 dias anteriores à votação.

Seu último grande discurso antes das eleições, entretanto, foi dedicado à reforma da piscina refletora do Lincoln Memorial, em Washington. Durante mais de 20 minutos, o presidente abordou detalhes técnicos das obras, incluindo tubulações, granito, vazamentos e manutenção da estrutura.

Alasca também pode ser decisivo para o Senado

No Alasca, a disputa por uma vaga no Senado também está cercada de controvérsias judiciais.

Um juiz federal rejeitou uma ação do Departamento de Justiça que buscava impedir a certificação dos resultados caso o senador republicano Dan S. Sullivan fosse derrotado por pequena margem.

A controvérsia envolve a presença de outro candidato, Daniel J. Sullivan Jr., na cédula eleitoral. O governo alegou que a semelhança entre os nomes poderia confundir os eleitores.

Segundo o New York Times, a campanha da democrata Mary Peltola teria participado do recrutamento do segundo Sullivan para dividir votos republicanos. Peltola negou envolvimento, enquanto Sullivan Jr. afirmou não ter coordenado sua candidatura com a democrata.

O senador republicano declarou que aceitará o resultado da eleição, embora o governo Trump tenha pressionado por uma investigação criminal sobre o episódio.

Resultado poderá redefinir a correlação de forças em Washington

As eleições desta terça-feira representam um teste nacional para Trump e para o Partido Republicano. A eventual conquista de uma ou das duas casas do Congresso pelos democratas alteraria a correlação de forças em Washington e poderia impor obstáculos à agenda presidencial durante a segunda metade de seu mandato.

A disputa também é acompanhada internacionalmente por suas possíveis repercussões sobre a política externa americana e os movimentos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos.

Embora as pesquisas indiquem vantagem democrata na preferência nacional para o Congresso, o resultado dependerá das disputas em cada distrito e estado, especialmente nas corridas mais equilibradas pelo Senado. Com 247

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