POLÍTICA

Flávio e mais seis: os senadores derrotados e investigados no STF que deixarão o Congresso

Os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plenário do Senado. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Além de Flávio Bolsonaro (PL), seis dos 18 senadores que perderam a reeleição em 2026 deixarão o Congresso, em janeiro de 2027, com investigações, ações ou outros procedimentos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o Estadão. Os casos envolvem suspeitas criminais, queixas por crimes contra a honra e apurações sobre emendas parlamentares.

Entre os nomes estão o de Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por suspeita de atuar em favor do Banco Master em troca de vantagens indevidas, e Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de apurações ligadas a suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS. Ambos negam irregularidades.

A continuidade dos processos no STF depois do fim dos mandatos dependerá da relação entre os fatos investigados e a atividade parlamentar. O debate ganhou força no processo contra Zequinha Marinho (Podemos-PA), réu sob suspeita de exigir de funcionários de gabinete o repasse mensal de 5% dos salários ao PSC, sob ameaça de exoneração. Ele nega a acusação.

Em março de 2025, o Supremo decidiu por sete votos a quatro que o foro deve permanecer mesmo após o término do mandato quando os supostos crimes ocorreram no exercício do cargo e guardam relação com as funções desempenhadas. A decisão aplicou esse entendimento ao processo de Zequinha Marinho.

Flávio Bolsonaro e apurações envolvendo Banco Master

Flávio Bolsonaro
Plenário do Senado Federal. Foto: Reprodução

Flávio deixará o Senado em meio a medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Na segunda última (26), Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador, proibiu sua saída do Brasil e vetou contatos com outros investigados.

Ele fugiu do país no dia seguinte com a família, rumo aos Estados Unidos, e a Polícia Federal cancelou seus passaportes brasileiros. As cautelares integram uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz.

O senador também é investigado pelo financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro; ele admite que buscou patrocínio privado para a produção, mas nega irregularidades. Em carta divulgada na quarta (28), declarou-se o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota para Lula.

A Polícia Federal apontou indícios de que Ciro Nogueira recebeu pagamentos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre 2024 e 2025, por empresas ligadas às famílias dos dois.

Weverton Rocha também responde a procedimento relatado pelo ministro Flávio Dino por suspeita de tentar interferir na investigação do assassinato de um empresário no Maranhão, em 2022; o senador nega interferência.

Carlos Viana (PSD-MG) é citado em uma apuração sobre R$ 3,6 milhões em emendas destinadas à Fundação Oásis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, enquanto Carlos Fávaro (PSD-MT) teve repasses para municípios mato-grossenses submetidos a auditorias. Renan Calheiros (MDB-AL) enfrenta queixas-crime apresentadas por Arthur Lira (PP-AL), e Zenaide Maia (PSD-RN) responde a uma queixa por ataques nas redes sociais.

Com o fim do mandato, eles também perderão garantias constitucionais vinculadas ao cargo, como as restrições à prisão de congressistas e a possibilidade de o Senado suspender determinadas ações penais.

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