
A Polícia Federal afirma ter reunido indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas. As informações constam da análise de celulares apreendidos na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.
Segundo o g1, os agentes identificaram mensagens, registros de viagens e comprovantes de transferências bancárias. A primeira viagem citada teria ocorrido em abril de 2024, para Paris. Ciro aparece ao fundo em uma foto publicada pela filha, Maria Eduarda Nogueira, durante o período em que esteve na capital francesa.
No mês seguinte, de acordo com a PF, Ciro e Vorcaro viajaram juntos para Nova York. Os investigadores afirmam que o senador ficou hospedado em um hotel de luxo e jantou em restaurantes classificados como “de elevado padrão”. As despesas, segundo a apuração, teriam sido pagas pelo banqueiro.
PF suspeita que Vorcaro pagou ao menos 3 viagens internacionais do senador Ciro Nogueira, PP.
Segundo a investigação, em troca dessas viagens, hotéis, jantares e repasses de dinheiro, Ciro Nogueira usou o seu mandato de senador para tentar atender a interesses do dono do Banco… pic.twitter.com/KHcXTU72jo
— Jornal Nacional (@jornalnacional) May 9, 2026
A terceira viagem citada ocorreu em janeiro de 2025, para Courchevel, nos Alpes Franceses. A PF afirma que Ciro e Vorcaro estiveram juntos no destino e que o banqueiro teria pago até roupas de frio usadas pelo senador. Vorcaro e a então namorada também aparecem em fotos tiradas em uma estação de esqui.
Na quinta-feira (7), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu as atividades da CNFL, empresa administrada por Raimundo Neto Nogueira, irmão de Ciro. Ele foi alvo de buscas e passou a usar tornozeleira eletrônica. Maria Eduarda Nogueira também aparece como sócia da empresa.

A Polícia Federal sustenta que a CNFL teria sido criada para lavar dinheiro destinado a Ciro. Segundo a investigação, a empresa recebeu depósitos de companhias ligadas a Vorcaro e teria sido usada para repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ao senador.
A apuração também aponta depósitos em dinheiro vivo. A PF diz que Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, funcionário de Ciro e alvo da operação, fez 265 depósitos em menos de quatro anos em contas de empresas ligadas ao senador e à família dele. O valor total soma R$ 3,5 milhões. Os investigadores apuram agora a origem dos recursos.
Segundo a PF, em troca de viagens, hotéis, jantares e repasses, Ciro teria usado o mandato para atender a interesses de Vorcaro no Congresso. O caso pressiona a proposta de delação premiada do banqueiro, em análise na PF e na PGR. Investigadores avaliam que Vorcaro não apresentou novidades, pois não apontou crimes do senador nem mencionou pagamentos ou viagens.

A defesa de Ciro negou que Vorcaro tenha financiado viagens do senador e de sua família. Confirmou o encontro em Nova York, mas afirmou que a passagem foi paga pelo próprio parlamentar. Também negou que Vorcaro tenha pago despesas de Maria Eduarda.
Sobre os depósitos feitos por Bernardo Filho, a defesa disse que os valores se referem a vendas de uma loja de motos e que há documentos para comprovar as transações. Em nota, Ciro afirmou que há uma tentativa de manchar sua honra e disse que já enfrentou situação semelhante em 2018, quando o devido processo legal comprovou sua inocência.



