
Investigadores que apuram o caso Banco Master avaliam que uma delação premiada de Daniel Vorcaro poderia acelerar a recuperação de recursos mantidos fora do Brasil, estimados pelas autoridades em cerca de R$ 60 bilhões.
Integrantes do Ministério Público, da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal veem a colaboração do ex-banqueiro como um instrumento para localizar, bloquear e repatriar valores supostamente desviados e ocultados no exterior. Sem um acordo, as equipes precisam seguir o caminho tradicional de investigação, identificação patrimonial e cooperação internacional.
A preocupação cresceu após a Procuradoria-Geral da República rejeitar a proposta de colaboração apresentada por Vorcaro em 15 de junho. Quatro dias antes, a Polícia Federal também havia recusado os termos oferecidos pela defesa.
Essa foi a segunda tentativa frustrada de acordo. Uma proposta anterior já havia recebido resposta negativa em maio, mas pessoas envolvidas nas tratativas afirmam que a possibilidade de uma colaboração ainda não saiu da mesa.
Autoridades cobram dados verificáveis sobre ativos
Investigadores defendem que Vorcaro amplie as informações apresentadas e entregue relatos consistentes, com possibilidade de verificação. Fontes ligadas às apurações afirmam que há conhecimento sobre recursos enviados ao exterior, mas ainda faltam dados precisos sobre localização e montante.
A defesa do ex-dono do Banco Master teria proposto a devolução de aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. PF, PGR e STF não aceitaram o valor e o prazo porque trabalham com uma estimativa de prejuízo em torno de R$ 60 bilhões e defendem restituição integral.

Apesar do interesse em uma delação, investigadores afirmam que a produção de provas não depende exclusivamente de Vorcaro. As autoridades já reuniram documentos, informações e evidências por meios próprios e por operações realizadas, e avaliam que novas diligências ainda devem ampliar o conjunto probatório.
A Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do Banco Master, medida que pode ajudar na identificação de recursos no país caribenho. Uma corte dos Estados Unidos adotou decisão semelhante em janeiro, e autoridades brasileiras também recorrem a mecanismos como a difusão prateada da Interpol e a DeCripto, declaração criada para o compartilhamento internacional de informações sobre ativos digitais.



