
Após negar inicialmente qualquer relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) admitiu que se encontrou com o banqueiro para tratar do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL) em 2018. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Paulo Figueiredo, nos Estados Unidos.
“Eu encontrei com o Vorcaro uma única vez […] já com o filme definido de que ele investiria”, disse Frias. O parlamentar bolsonarista afirmou que a conversa teve caráter empresarial e envolveu a apresentação do projeto cinematográfico.
“Ele, Vorcaro, traria o investimento, faria a prospecção do projeto. Mostrei para ele um ‘powerpointzinho’ dizendo quem seria os atores, o diretor, o período de lançamento do filme, o retorno [do investimento] seria de um ano. A gente mostrou o business e acabou”, afirmou.
Questionado se poderia ser exposto em novos áudios, como ocorreu com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Frias negou. Segundo ele, os contatos telefônicos com Vorcaro ocorreram “umas três vezes” e teriam servido apenas para agradecer pelo investimento no filme. “A relação com Vorcaro foi única e exclusivamente de apoio para o filme. Prospecção”, declarou.
O deputado também negou qualquer favorecimento político ao banqueiro. “O que acontece no filme é, se você investe R$ 100, você é o primeiro a receber os R$ 100 e depois recebe 20% dos R$ 100. Esse é o combinado”, afirmou.
O caso ganhou força após o Intercept Brasil revelar repasses de pelo menos R$ 62 milhões do Banco Master para a produção de “Dark Horse”. As suspeitas se somam a questionamentos sobre emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme.
🚨AGORA – Deputado Mário Frias diz que se encontrou com Vorcaro uma vez
“Eu me encontrei com o Daniel Vorcaro uma vez, com o Thiago, já com o filme definido que ele investiria” pic.twitter.com/tAQxeu5DLk
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) May 18, 2026
Envio de emendas parlamentares
Deputados bolsonaristas enviaram ao menos R$ 4,6 milhões em emendas para organizações vinculadas à GoUp Entertainment, responsável pela produção. Os recursos foram destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades controladas por Karina Ferreira da Gama, que também comanda a produtora.
Em 2025, Frias destinou R$ 2 milhões ao ICB. Parte da verba foi reservada a um programa de empreendedorismo, e outra parte ao projeto “Lutando pela Vida”, voltado a aulas de jiu-jítsu em Pirassununga, no interior de São Paulo.
Outros R$ 2,6 milhões foram enviados à ANC em 2024 por parlamentares como Bia Kicis (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP). Segundo o UOL, os recursos seriam usados na série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”.
O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a analisar o caso após questionamentos da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que levantou suspeitas sobre eventual relação entre as emendas e o financiamento de “Dark Horse”. O ministro Flávio Dino determinou a abertura de procedimento separado no âmbito da ADPF 854, que trata da transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.



