
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) passaram a atuar para tentar conter a crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A avaliação no partido é que a ex-primeira-dama se tornou um dos principais ativos eleitorais da sigla, especialmente no eleitorado feminino e evangélico.
Valdemar estava nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo quando Michelle publicou vídeos em que afirmou ter sido maltratada, humilhada e deixada de lado pelo enteado. O dirigente antecipou a volta ao Brasil para conversar com os dois e pediu “calma” nos bastidores antes de tomar qualquer decisão.
A crise expôs uma disputa por espaço na montagem das chapas estaduais. Aliados de Michelle afirmam que a campanha de Flávio e a direção do PL precisam reconhecer o trabalho dela à frente do PL Mulher, estrutura que, segundo esse grupo, ajudou a filiar mulheres, puxar votos em 2024 e organizar diretórios nas 27 unidades da federação.
O principal foco de tensão está no Ceará. Michelle defende a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado, mas o PL local trabalha para lançar Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), aliado de Flávio e Eduardo Bolsonaro. A ex-primeira-dama reclamou que suas indicadas vêm sendo rifadas pelo partido.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (24), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relatou ter sido tratada de forma ríspida e desrespeitosa pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante uma conversa por telefone. O atrito envolve divergências internas no… pic.twitter.com/X1bLzvDQId
— Portal Roma News (@RomaNewsOficial) June 24, 2026
Nos vídeos, Michelle disse que, pela lógica da cota de 30% do fundo eleitoral para candidaturas femininas, o PL Mulher poderia reivindicar 17 candidaturas ao Senado nas 54 vagas em disputa. Segundo ela, foram indicados apenas três nomes: Priscila Costa, no Ceará; Bia Kicis, no Distrito Federal; e Caroline De Toni, em Santa Catarina.
Damares, uma das principais amigas de Michelle, entrou na articulação para tentar reduzir o desgaste. A senadora promete ficar ao lado da ex-primeira-dama, mas também se colocou à disposição para ajudar a campanha de Flávio. O senador convidou Damares para uma reunião de trabalho na quarta-feira (1º), com o objetivo de discutir propostas e nomes de mulheres para a pré-campanha.
Flávio também convidou publicamente Michelle para o encontro, mas ainda não havia recebido resposta. Pessoas próximas ao senador dizem que ele tentou falar com a madrasta por telefone e mensagem desde janeiro, versão contestada indiretamente por Michelle nos vídeos. A ex-primeira-dama afirmou que Flávio vai semanalmente à casa dela e que, se quisesse conversar, já teria feito isso.
Enquanto Valdemar e Damares tentam baixar a temperatura, Eduardo Bolsonaro mantém os ataques. O ex-deputado compartilhou críticas à madrasta e publicou trecho de entrevista de Alexandre Ramagem, foragido da Justiça, dizendo que Michelle estaria “fazendo birra” porque queria ser candidata à Presidência. A crise ocorre em um ponto sensível para Flávio: pesquisa Genial/Quaest mostra que Lula tem vantagem ainda maior entre mulheres, com 41% contra 24% do senador.



