
Grandes empresas estadunidenses, entre elas Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para pedir que produtos importados do Brasil fiquem fora de tarifas adicionais discutidas na investigação da Seção 301.
As manifestações, encaminhadas em 1º de julho, afirmam que novas barreiras contra insumos brasileiros podem reduzir a competitividade de companhias dos EUA, afetar cadeias de suprimentos e elevar custos para consumidores americanos.
As audiências públicas sobre o tarifaço proposto pelo governo americano começaram nesta segunda-feira (6). O USTR, órgão responsável pela política comercial dos EUA, analisa uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma tarifa de 12,5%, sob a alegação de que práticas do governo brasileiro “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
Pedidos das empresas ao governo americano
A Tesla pediu isenção para insumos industriais vindos do Brasil. A montadora de veículos elétricos e sistemas de energia afirmou que investe bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de suprimentos nas Américas, mas sustentou que componentes necessários para veículos elétricos, robótica e baterias ainda não têm produção nos EUA com escala e qualidade suficientes.

A Nestlé solicitou a inclusão de café instantâneo não aromatizado e colágeno bovino na lista de produtos isentos. A multinacional argumentou que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial no território continental dos EUA e que o Brasil é o principal exportador global de colágeno bovino, usado em produtos de saúde e bem-estar.
A Coca-Cola pediu que os EUA mantenham a isenção proposta para o suco de laranja brasileiro e acrescentem limão e derivados à lista livre de tarifas, ou concedam um período de transição. A empresa citou a queda da produção de laranja na Flórida, de 242 milhões de caixas na safra 2003/04 para uma estimativa de 12 milhões em 2025/26, em meio a pragas e problemas climáticos.
O eBay defendeu uma isenção específica para produtos de segunda mão, usados e seminovos. A plataforma afirmou que tarifas desenhadas para atingir produção industrial e agrícola do Brasil não deveriam recair sobre itens que já cumpriram seu ciclo de vida, e apontou que cerca de 30% das roupas destinadas à revenda chegam sem etiquetas, o que dificultaria a comprovação de origem.
A ofensiva empresarial ocorre em meio a tensão diplomática entre Brasília e Washington. Documentos enviados pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apontam que o Itamaraty vê “risco” de o governo Donald Trump usar “força militar” contra o território brasileiro após os EUA classificarem unilateralmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais; na semana passada, o Departamento do Tesouro americano congelou bens de dois brasileiros e quatro empresas por supostas ligações com o PCC.



