
O atacante Romelu Lukaku voltou ao centro das atenções na Copa do Mundo ao marcar o último gol da vitória da Bélgica por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, na segunda-feira (6), pelas oitavas de final. Na comemoração, o camisa 9 dos Diabos Vermelhos reproduziu, ao lado de companheiros, uma dança associada a Donald Trump, gesto interpretado como provocação após o caso Balogun.
A polêmica começou quando Folarin Balogun, atacante estadunidense, teve suspensa pela Fifa a punição automática pelo cartão vermelho recebido contra a Bósnia e Herzegovina. Trump admitiu ter ligado para Gianni Infantino, presidente da entidade, para pedir a revisão do caso. Balogun foi liberado, entrou como titular contra a Bélgica, mas não marcou. A resposta belga veio em campo, com goleada e deboche.
Belçikalı oyuncular düm gece Trump dansı yaptı. 😅 pic.twitter.com/rUX0M6XaAT
— L’Europe (@leuropefootball) July 7, 2026
Luta contra a fome e o racismo
O episódio, porém, é apenas mais um capítulo da trajetória de Lukaku, maior artilheiro da história da seleção belga e agora dono de oito gols em Copas.
Filho de família congolesa, o atacante construiu a carreira entre pobreza, racismo e cobrança permanente. Em relato ao The Players Tribune, ele contou que percebeu ainda criança a situação da família ao ver a mãe misturar água ao leite para render a refeição. “Não tínhamos dinheiro para a semana inteira. Estávamos falidos. Não apenas pobres, mas falidos”, disse.
Aos seis anos, Lukaku prometeu que seria jogador profissional para mudar a vida da família. O pai explicou que ele só poderia assinar contrato aos 16. “Dezesseis, então”, respondeu o menino. Dez anos depois, estreou pelo Anderlecht.
Em outro trecho, escreveu: “Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo. As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria”.
A força mental também foi moldada pelo racismo. Aos 11 anos, ouviu pais de adversários insinuarem que ele era mais velho e precisou mostrar o documento.
Já profissional, resumiu o tratamento que recebia: “Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga. Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses”.
O atleta, que foi algoz do Brasil na Copa de 2018, também enfrentou estereótipos na Inglaterra, quando torcedores do Manchester United criaram uma música racista sobre o estereótipo de pênis de homens negros. Lukaku pediu o fim do cântico: “precisamos parar e seguir em frente, todos juntos. Tem que haver respeito um pelo outro”.
Carismático e poliglota, Lukaku fala português, idioma que aprendeu convivendo com brasileiros como David Luiz e Willian no Chelsea. A ligação com o Brasil passa também por Adriano, seu ídolo de infância. Ao encontrar o Imperador, declarou: “Papai, estou muito feliz de falar com você. Era um sonho de criança. Muito obrigado pelo carinho”.
Fã de feijoada, churrasco, guaraná e do futebol brasileiro, Lukaku se transformou em símbolo de resistência dentro e fora de campo.
Às vezes, os Deuses do esporte escrevem certo por linhas tortas.
Quis a História que os supremacistas Hitler e Trump fossem humilhados por esses dois gigantes do esporte. pic.twitter.com/c7YVJnXNvH
— Dante Raimundo 🇻🇪 (@RaimundoDante) July 7, 2026



