
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) afirmou que espera que o bolsonarismo seja “varrido da face da terra e do país” para que, em sua avaliação, a “verdadeira direita” volte a ocupar espaço no cenário político nacional. A declaração foi dada em entrevista à Jovem Pan.
Segundo a Jovem Pan, Tebet defendeu que o Brasil precisa de uma “oposição racional”, independentemente do campo ideológico. A ex-ministra criticou o que classificou como um projeto “sectário” e afirmou que disputas centradas apenas em poder não podem bloquear pautas consideradas relevantes para o país.Play Video
“O que não pode é um projeto muito sectário, muito específico de poder e não de país, paralisar os projetos relevantes do Brasil. Então, o que eu espero do futuro é que o bolsonarismo seja varrido da face da terra e do país, e que a direita conservadora, que é a verdadeira direita, volte a tomar esse papel que ela deixou de ter nesse protagonismo. Que ela volte a ter o protagonismo ao lado da esquerda e de partidos de centro”, declarou Tebet.
A fala da ex-ministra ocorre em um contexto de forte disputa política nacional e de rearranjo das forças partidárias de olho nas eleições de 2026. Tebet deixou o cargo no governo em março para se desincompatibilizar e concentrar esforços em sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo, em articulação ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Crítica à polarização política
Tebet, que se define como uma pessoa de centro, disse que não esperava chegar ao atual ciclo eleitoral com o Brasil ainda marcado por tamanha polarização. Para ela, o debate público permanece preso a uma lógica ideológica que impede uma discussão mais profunda sobre os rumos do país.
A ex-ministra afirmou chegar a 2026 “entristecida”, mas também “extremamente otimista”, manifestando a expectativa de que o eleitorado possa expressar sua vontade nas urnas de maneira livre, considerando seus próprios interesses e não apenas uma identificação ideológica.
“Mas, lamentavelmente, a polarização ainda está aí. Eu espero que as minhas projeções não estejam certas e que a gente tenha realmente esse debate de Brasil. Mas assim, hoje o que se mostra é que a polarização ainda vai para um debate raso, um debate de ideologia”, disse.
A declaração reforça o diagnóstico de Tebet de que a política brasileira ainda não superou a lógica de antagonismo que marcou os últimos anos. Ao defender uma oposição “racional”, a ex-ministra busca diferenciar o conservadorismo institucional do bolsonarismo, que ela associa a um projeto de poder incapaz de contribuir para consensos nacionais.
Defesa de uma direita conservadora institucional
Ao afirmar que a “direita conservadora” precisa retomar seu papel, Tebet indicou que vê espaço para uma oposição organizada, programática e capaz de dialogar com o centro e a esquerda em torno de pautas de interesse nacional. Sua fala também sugere uma tentativa de separar a direita tradicional do movimento político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na avaliação da ex-ministra, a democracia brasileira depende de forças políticas que disputem projetos de país, e não apenas espaços de poder. Por isso, ela defendeu que diferentes correntes — direita, centro e esquerda — participem do debate nacional sem paralisar iniciativas relevantes para o Brasil.
A crítica ao bolsonarismo se conecta à trajetória recente de Tebet. Em 2022, depois de disputar a Presidência da República, ela declarou apoio a Lula no segundo turno e passou a integrar o governo federal como ministra do Planejamento e Orçamento. Agora, fora do cargo, prepara-se para uma nova disputa eleitoral, desta vez pelo Senado em São Paulo.
Eleições de 2026 e disputa por São Paulo
A saída de Tebet do Ministério do Planejamento ocorreu dentro do prazo de desincompatibilização exigido para quem pretende disputar as eleições. Sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo a coloca em um dos principais palcos políticos do país e deve ampliar sua presença no debate nacional nos próximos meses.
Ao falar sobre o futuro político do Brasil, Tebet demonstrou preocupação com a permanência da polarização, mas também afirmou manter otimismo em relação ao papel do eleitor. Para ela, a escolha nas urnas deve refletir uma avaliação livre sobre o que é melhor para cada cidadão e para o país.
As declarações da ex-ministra devem repercutir entre diferentes setores políticos, especialmente por sua defesa explícita de que o bolsonarismo perca espaço e de que a direita conservadora tradicional volte a atuar como força institucional no debate democrático.
A entrevista também evidencia a estratégia discursiva de Tebet para 2026: apresentar-se como uma liderança de centro, crítica ao bolsonarismo e favorável a uma reorganização do campo político em torno de uma agenda nacional, com oposição responsável e debate menos condicionado por radicalizações ideológicas.



