
Em meio à escalada de conflitos públicos dentro do bolsonarismo, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo na madrugada deste domingo (5) tentando conter a crise aberta entre seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Preocupado, o senador classificou a situação como “muito angustiante” e fez um apelo pela reunificação do grupo.
“É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um país para resgatar”, afirmou Flávio. Ele também alertou que “esse é o tipo de confusão que não tem vencedor, todo mundo sai perdendo”, numa tentativa evidente de reduzir os danos políticos provocados pelo embate.
A intervenção ocorre em um momento sensível: Flávio busca viabilizar sua candidatura presidencial e enfrenta dificuldades crescentes diante da fragmentação interna do próprio campo político que o sustenta.
Flávio Bolsonaro tenta conter danos do racha
O apelo de Flávio veio após uma troca de ataques públicos entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira nas redes sociais. O conflito teve início quando Eduardo criticou Nikolas por compartilhar conteúdo de um perfil que, segundo ele, não apoiaria a candidatura de Flávio.
A reação de Nikolas, que escreveu um debochado “kkk”, irritou o filho do ex-presidente, que respondeu com uma série de acusações. Eduardo afirmou que o deputado mineiro estaria agindo por “ego” e tentando silenciar a candidatura do irmão.
“Os holofotes e a fama te fizeram mal”, escreveu Eduardo, em tom duro. Ele também acusou Nikolas de impulsionar perfis que atacariam sua família e de atuar contra Flávio nos bastidores.
Em outro trecho, Eduardo afirmou que Nikolas estaria colocando o senador “numa espiral de silêncio”, com poucos apoios públicos, e criticou o que chamou de falta de lealdade política. Ao final, classificou o ex-aliado como uma figura “triste”.
Confira as publicações:
Crise interna já vinha se intensificando
O episódio entre Eduardo e Nikolas não é isolado, mas parte de um racha mais amplo que vem se aprofundando desde o fim de 2025. No centro da crise está justamente a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
A divisão atinge o próprio núcleo familiar. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, tem resistido a apoiar publicamente a candidatura do enteado, o que gerou críticas diretas de Eduardo e indiretas de Carlos Bolsonaro.
Michelle reagiu às pressões afirmando ter autonomia política e recusando-se a seguir alinhamentos impostos. O embate evoluiu para trocas públicas de acusações e críticas sobre estratégias eleitorais.
As divergências também envolvem decisões políticas. Michelle criticou articulações lideradas por Flávio, incluindo tentativas de alianças controversas, classificadas por ela como parte de um “jogo sujo”. A postura independente da ex-primeira-dama é vista por aliados dos filhos de Bolsonaro como um fator que fragiliza ainda mais a unidade do grupo.



