
Irã e Israel suspenderam nesta manhã os ataques após uma nova escalada militar que colocou em risco o cessar-fogo em vigor desde abril. A crise começou depois de bombardeios israelenses contra Beirute, no Líbano, e levou Teerã a disparar mísseis contra território israelense.
O Exército do Irã foi o primeiro a anunciar o fim das ofensivas. O Quartel-General Central Hazrat Khatam al-Anbiya afirmou à agência local Fars que o país deu uma “resposta dolorosa à Israel” e decidiu encerrar as operações militares.
Teerã disse esperar que Israel e os Estados Unidos tenham “aprendido uma lição”. O governo iraniano afirmou que as retaliações ocorreram “em resposta às agressões e atrocidades do regime sionista sanguinário no sul do Líbano e na região de Dahiyeh, que ocorreram com o apoio dos Estados Unidos criminosos”.
Apesar da suspensão, militares iranianos alertaram que podem retomar os ataques caso Israel prossiga com as ofensivas. “Enfatiza-se que, caso as agressões e malfeitorias continuem, incluindo no sul do Líbano, medidas muito mais severas e devastadoras do que as anteriores estarão a caminho”.
Em seguida, Israel também concordou em suspender os bombardeios. A informação foi divulgada inicialmente pelo Canal 12, emissora de televisão comercial aberta mais assistida do país, que citou um alto funcionário israelense. Depois, a agência Reuters também confirmou a suspensão.
Mesmo com a pausa nos ataques contra o Irã, bombardeios israelenses no sul do Líbano devem continuar. A mesma fonte afirmou que as ofensivas seguirão com “força total” na região e ameaçou atacar os subúrbios de Beirute caso o Hezbollah não deixe cidades israelenses em paz.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que os dois países interrompessem os disparos. “Israel e Irã devem parar imediatamente os disparos”, escreveu em publicação na Truth Social.
Trump afirmou ainda que Israel e Irã buscavam um cessar-fogo imediato. Segundo ele, negociações finais de paz estavam em andamento, “sujeitas a possíveis obstáculos impostos pela ignorância ou estupidez”. O presidente estadunidense acrescentou que as coisas “andariam rápido”.
Teerã, porém, afirmou que os novos bombardeios contra Israel tendem a agravar um processo diplomático descrito como “caótico”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que o país troca mensagens com os Estados Unidos em um ambiente de “extrema suspeita”.
O Irã chegou a responsabilizar Washington pela violação do cessar-fogo, afirmando que os Estados Unidos, como signatários do acordo, têm responsabilidade direta por violações, inclusive por ataques atribuídos a Israel.
Apesar da tensão, o presidente iraniano afirmou que o país “segue na mesa de negociações”. “Defendemos os direitos da nação com autoridade e não recuaremos diante de nenhuma ameaça. Diplomacia e defesa são as duas asas do poder nacional”, escreveu no X.



