
Em entrevista ao UOL, o Professor Leonardo Trevisan, especialista em relações internacionais, avaliou o impacto da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e o comportamento de corporações estrangeiras no país, alertando para os possíveis desdobramentos eleitorais e de segurança nacional que o movimento do governo Trump pode acarretar.
Inicialmente, Trevisan destacou o rigor de conformidade legal ao qual as grandes empresas estrangeiras estão submetidas, minimizando a necessidade de novas interferências externas. “Qualquer multinacional americana que atue aqui no Brasil tem que obedecer à lei Sarbannes-Oxley e não pode cometer nenhum deslize legal nos Estados Unidos ou aqui. Elas são muito cautelosas com isso e tudo mais. Então, portanto, meios de proteção, eles já estão definidos há bastante tempo”, pontuou.
O ponto central da crítica do professor, no entanto, recaiu sobre a dimensão estratégica da ação. Para ele, o tom adotado pela ala bolsonarista contraria preceitos básicos de sobrevivência política no cenário nacional. “Mesmo no aspecto militar, isso é um profundo tiro no pé da candidatura de Flávio Bolsonaro”, completou Trevisan.
O especialista rechaçou a ideia de que as Forças Armadas brasileiras dariam respaldo a medidas que pudessem abrir brechas para intervenções externas. “Eu desafiaria que se convidasse qualquer general, qualquer almirante ou qualquer brigadeiro que aceitasse qualquer risco à soberania brasileira”, provocou o professor, enfatizando a coesão institucional das Forças Armadas nesse tema.
Trevisan afirma que a defesa da soberania é um pilar inegociável para as Forças Armadas, acima de disputas políticas: “Os militares brasileiros não aceitam isso. A lógica da proteção da soberania nacional é absolutamente consolidada”.
O professor alertou ainda para o desgaste eleitoral quando a população compreender o risco à autonomia do país. “É tiro no pé. Quando o brasileiro entender que isso significa que alguém pode vir se meter na casa da gente, isso não vai ter bom fim eleitoral. Isso é óbvio”, advertiu.
Para sustentar a tese, Trevisan lembrou que o eleitorado historicamente reage bem a discursos patrióticos. “Desde o governo Sarney, aprendemos que posições nacionalistas no Brasil redundam em votos. Essa posição não me parece conveniente para a candidatura Bolsonaro”, concluiu.
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Com DCM



