
A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos ampliou a pressão interna no PL a poucos dias do início das convenções partidárias. Dirigentes estaduais, parlamentares e pré-candidatos reclamam da demora para definir candidaturas, arbitrar disputas locais e consolidar palanques considerados estratégicos para a campanha presidencial.
Flávio participa nesta terça-feira (07), em Washington, de uma audiência pública sobre a proposta americana de sobretaxar produtos brasileiros. A sessão ocorre no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, etapa final da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho sobre tarifas adicionais de 25%.
Aliados veem a agenda internacional como uma forma de aproximar Flávio do governo de Donald Trump e de lideranças do Partido Republicano, mas cobram decisões no Brasil. A expectativa é que o senador use seus cinco minutos de apresentação para defender a suspensão da medida, tirar o Pix do centro da disputa comercial e abrir espaço para negociação entre os dois países.
Dentro do PL, dirigentes passaram a classificar a condução da pré-campanha como “confusa”, “lenta” e, em alguns casos, “desorganizada”. No Rio de Janeiro, integrantes da legenda esperavam que Flávio anunciasse na última sexta-feira o nome para uma vaga ao Senado, em uma disputa que envolve Sóstenes Cavalcante, Carlos Portinho e Carlos Jordy, mas a decisão foi novamente adiada.
Impasse se espalha por palanques estaduais
A indefinição já alcança pelo menos dez palanques estaduais tratados como prioritários pela direção nacional do partido. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro ainda não oficializou se disputará ou não a eleição ao Senado, enquanto Valdemar Costa Neto já citou Izalci Lucas e Bia Kicis como alternativas; em Pernambuco, o PL ainda avalia se lançará candidato ao Senado; no Ceará, a legenda tenta reorganizar a articulação após a crise em torno da candidatura da vereadora Priscila Costa (PL).

Em Mato Grosso, o PL resiste à pressão do Republicanos para retirar o apoio ao senador Wellington Fagundes (PL) e aderir ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, a legenda ainda não decidiu se apoiará o senador Cleitinho (Republicanos-MG) ao governo ou se apostará em Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais.
Interlocutores da campanha admitem que Jair Bolsonaro continua sendo consultado antes das decisões finais. A lista preparada pelo ex-presidente com nomes que pretende apoiar ao Senado e aos governos estaduais, aguardada desde junho, retardou anúncios e aumentou a percepção de centralização; aliados também citam a crise com Michelle Bolsonaro, o caso Banco Master e a preparação da viagem aos EUA como temas que ocuparam espaço nas últimas semanas.
As convenções começam na próxima semana e obrigam os partidos a formalizar candidaturas, registrar coligações e anunciar chapas. Depois da audiência em Washington, Flávio deve desembarcar no Brasil na quarta-feira (08) e seguir para agendas em Pernambuco na quinta-feira (09) e no Ceará na sexta-feira (10), com a missão de tentar destravar negociações locais.



