POLÍTICA

Merval, do Globo, diz que direita abandona Flávio Bolsonaro e se prepara para 2030

A direita brasileira já estaria começando a construir um projeto político para além da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Essa é a avaliação do jornalista Merval Pereira, em artigo publicado no jornal O Globo, no qual sustenta que uma parcela significativa do campo conservador considera inviável o projeto político do senador e já direciona seus esforços para uma reorganização que mira as eleições de 2030.Play Video

Segundo Merval, o movimento reflete a percepção de que a estratégia de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, de transferir ao filho o comando político do bolsonarismo encontra resistências inclusive entre setores da própria direita, que passaram a discutir alternativas para o período pós-Bolsonaro.

De acordo com o colunista, “há sinais claros de que pelo menos parte ponderável da direita já abriu mão da candidatura de Flávio Bolsonaro e se prepara para disputar o controle do segmento político com os bolsonaristas”.

Flávio seria o candidato escolhido para preservar o controle familiar

Na avaliação de Merval Pereira, Flávio Bolsonaro ocupa uma posição peculiar dentro da estratégia desenhada pelo ex-presidente. Segundo ele, o senador teria sido escolhido não necessariamente por representar a candidatura mais competitiva, mas por garantir a permanência da liderança política nas mãos da família Bolsonaro.

O articulista afirma que “Flávio está na situação especial de ser o candidato para perder. Seus aliados preferem perder com ele a ganhar com outro”. Ainda segundo Merval, Jair Bolsonaro teria feito essa opção para “manter na família o controle da direita”, subordinando, em sua interpretação, setores da direita tradicional às diretrizes do bolsonarismo.

Michelle Bolsonaro ganha espaço no campo conservador

Outro ponto central da análise é o crescimento político da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Merval afirma que ela já estaria construindo um projeto próprio e disputando protagonismo dentro da direita.

Segundo o jornalista, Michelle “já rompeu com o enteado e se prepara para arrancar dos Bolsonaro a liderança da direita nacional”, apostando em uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal que poderia lhe conferir forte legitimidade eleitoral para o ciclo político seguinte.

O colunista observa ainda que integrantes da ala mais radical do bolsonarismo passaram a chamá-la de “Michelle Firmo”, utilizando seu sobrenome de solteira numa tentativa de desvinculá-la politicamente da família Bolsonaro e reduzir seu capital eleitoral.

Tarcísio permanece distante da estratégia bolsonarista

Na análise publicada por O Globo, Merval também aborda a posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo ele, Jair Bolsonaro evitou apoiar tanto Michelle quanto Tarcísio justamente para preservar o controle político da família sobre a direita.

O articulista sustenta que uma eventual reeleição de Tarcísio no primeiro turno poderia fortalecer decisivamente uma candidatura presidencial apoiada por ele, especialmente pelo peso eleitoral de São Paulo.

Merval lembra que, nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro abriu vantagem de mais de 2,6 milhões de votos sobre Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo — diferença superior à vantagem final obtida por Lula no resultado nacional.

Além disso, observa que pesquisas indicam uma redução da vantagem histórica de Lula no Nordeste, o que aumentaria a importância estratégica de São Paulo e Minas Gerais na disputa presidencial.

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