POLÍTICA

VÍDEO: Moro é enquadrado por repórter e foge de perguntas sobre “Flávio Rachadinha”

O senador Sergio Moro. Foto: reprodução

O senador Sergio Moro (PL-PR), ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato ao Governo do Paraná, fugiu de responder diretamente sobre antigas críticas feitas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, durante evento do PL. Questionado por uma repórter sobre a reaproximação com o senador, Moro desviou o foco e passou a atacar o presidente Lula (PT).

A jornalista lembrou que, no passado, Moro havia associado Flávio ao caso das “rachadinhas” e acusado Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger os filhos. “Lá atrás o senhor falou que Flávio Bolsonaro cometeu [o crime de] ‘rachadinha’, disse que o [então] presidente Bolsonaro tentava defender os filhos interferindo na Polícia Federal. O senhor mudou de ideia e acha que ele não cometeu mais ‘rachadinha’?”, perguntou.

Em seguida, a repórter insistiu: “Como é hoje andar ao lado do Flávio Bolsonaro que o senhor fez críticas?”. Moro respondeu sem tratar diretamente das acusações anteriores. “Flávio Bolsonaro é o único com potencial para derrotar o Lula…”, afirmou.

A jornalista tentou retomar o tema. “Mas fora falar de Lula, ele [Flávio] não cometeu ‘rachadinha’?” O senador novamente evitou responder sobre Flávio e citou o governo federal. “Hoje quem está impedindo investigação é o Lula, protegendo o Lulinha do envolvimento do escândalo do roubo dos aposentados e pensionistas”, disse.

A repórter ainda questionou: “E o dinheiro que ele [Flávio] recebeu do Banco Master?”. Moro passou a ignorar as perguntas, enquanto ela insistia: “Fora falar do Lula, o que o senhor tem mais a dizer para o [povo do] Paraná?”

O episódio expõe o peso do passado na nova aliança entre Moro e o clã Bolsonaro. Em março, Flávio declarou apoio à pré-candidatura do ex-juiz ao governo paranaense. Moro, por sua vez, afirmou apoiar “o projeto de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil”. A costura fortalece o PL no Paraná e dá a Moro uma estrutura partidária mais robusta para 2026.

A reaproximação, porém, reúne antigos adversários. Moro deixou o Ministério da Justiça em abril de 2020 acusando Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Na ocasião, disse que o então presidente queria alguém no comando da corporação para quem pudesse “ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência”.

Em depoimento à PF, Moro também atribuiu a Bolsonaro a frase: “Moro, você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”. Meses depois, escreveu nas redes: “Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do presidente”.

Apesar do histórico, Moro começou a se reaproximar do bolsonarismo no segundo turno de 2022, quando declarou apoio a Bolsonaro contra Lula. “Coloquei de lado minhas divergências com Bolsonaro”, afirmou à época.

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