
O Irã condicionou neste domingo (31) qualquer acordo com os Estados Unidos à garantia de que seus “direitos” serão “plenamente garantidos”. Teerã destacou que não confia “nem nas palavras, nem nas promessas” norte-americanas nas negociações em curso para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, em vídeo divulgado pela televisão estatal.
O país considera parte de seus direitos a suspensão das sanções americanas e o desbloqueio de ativos congelados. Além disso, Teerã reivindica manter o controle estratégico sobre o Estreito de Ormuz e exige que qualquer acordo inclua o fim das hostilidades no Líbano, onde Israel intensifica operações contra o Hezbollah.
Donald Trump, presidente dos EUA, afirmou em entrevista à Fox News que obteve de Teerã um compromisso de não desenvolver armas nucleares. “A única garantia de que preciso é que não haverá armas nucleares. Eles aceitaram isso, e foi muito interessante”, disse. O republicano acrescentou que o regime iraniano indicou ainda que não pretende comprar “uma arma nuclear”.
Trump declarou que “não tem pressa” nas negociações e que prefere avançar “devagar, mas com segurança”. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, alertou que os Estados Unidos são “mais do que capazes” de retomar a guerra caso as discussões fracassem. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por ofensiva israelo-americana, já deixou milhares de mortos e impacta os preços globais do petróleo.

Além das tensões militares, Washington se opõe à manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos. Em abril, o Exército americano impôs bloqueio aos portos iranianos, e neste domingo a Guarda Revolucionária informou ter abatido um drone MQ-1 dos EUA que estaria prestes a entrar em águas territoriais iranianas para “operações hostis”.
As negociações refletem o equilíbrio delicado entre segurança regional e interesses estratégicos globais. O Irã busca garantias formais sobre direitos e soberania, enquanto os Estados Unidos exigem compromissos concretos sobre o programa nuclear. A continuidade do diálogo permanece fundamental para evitar nova escalada militar na região.



