POLÍTICA

Relação de Flávio Bolsonaro e Vorcaro explode nas redes e críticas dominam

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

As relações entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, alcançaram 2,73 bilhões de visualizações nas redes sociais desde que o Intercept Brasil revelou uma conversa entre o senador e o banqueiro. O dado consta em levantamento da newsletter Ebulição, da Agência Lupa, obtido pela Coluna do Estadão.

O monitoramento analisou as narrativas digitais após o vazamento dos áudios em que Flávio aparece cobrando dinheiro de Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O pico de engajamento ocorreu em 14 de maio, um dia depois da primeira reportagem, quando o tema mobilizou 1,35 milhão de usuários.

Antes da crise, Flávio Bolsonaro registrava cerca de 100 mil menções diárias no X e no YouTube. Em apenas 24 horas, esse volume saltou para 632 mil publicações. O levantamento também mostra que o sentimento negativo associado ao senador aumentou de 45% para 56,6%.

Nos dias seguintes, a discussão mudou de eixo. Depois do impacto inicial das revelações, cresceram ataques ao Intercept Brasil, a jornalistas e a instituições ligadas à divulgação do caso. Segundo a Lupa, uma “narrativa de vingança” ganhou força especialmente em 17 de maio, três dias após o episódio se tornar público.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro, Jim Caviezel e Carluxo. Foto: reprodução

Apenas no X, o assunto reuniu média diária de 69 mil usuários engajados. No Telegram, plataforma usada por grupos bolsonaristas, mensagens com ataques circularam em ao menos três grupos monitorados pela Lupa, que juntos somam mais de 30 mil participantes.

Para Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação da Agência Lupa, o caso mostra como crises políticas podem se transformar rapidamente em disputas de narrativa e credibilidade da imprensa.

“Depois do impacto inicial dos áudios, observamos um movimento muito forte de reorganização narrativa nas redes. Parte significativa da mobilização digital passou a atacar os mensageiros e questionar a legitimidade da cobertura jornalística, numa tentativa de deslocar o centro da discussão e mobilizar emocionalmente diferentes audiências”, afirmou ao Estadão.

O monitoramento também identificou a circulação de conteúdos que tentavam enquadrar o caso como “perseguição política” e “vazamento seletivo”. Outra linha de publicações buscou transferir o desgaste político e associar Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tardáguila avalia que as redes sociais aceleram não apenas a circulação dos fatos, mas também a “disputa por versões”. “Hoje, compreender uma crise política exige acompanhar como grupos organizados tentam reinterpretar eventos, produzir engajamento e influenciar percepções públicas em tempo real”.

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