
A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), e a ONG Instituto Conhecer Brasil. O acordo prevê a instalação de 5 mil pontos de internet em vias públicas da capital paulista, mas atualmente soma cerca de 3,2 mil estruturas instaladas.
A ONG é comandada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. Ela também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark horse”, filme sobre campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018.
A cinebiografia tem roteiro assinado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e recebeu patrocínio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Além da ONG e da produtora, Karina aparece como proprietária de outras empresas: Conhecer Brasil Assessoria, Upcon Serviços Especializados Ltda., que tem filial em Goiás, e Academia Nacional de Cultura. O contrato com a prefeitura começou a ser executado em 2024 e deveria chegar aos 5 mil pontos de wi-fi em 2025.
O inquérito aberto em março é a segunda investigação sobre o contrato, segundo o Globo. A primeira, iniciada em fevereiro, teve origem em denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT), que questiona a falta de concorrência na licitação e a ausência de experiência da ONG na gestão de redes públicas de internet.
“As irregularidades são evidentes, desde a forma de contrato até a prestação de contas” afirmou Bonduki.

A nova apuração também passou pelo Ministério Público de São Paulo, que enviou o caso à Polícia Civil para a abertura de inquérito. A medida pode levar a uma ação criminal caso sejam confirmados indícios de crimes licitatórios.
“As apurações revelaram várias suspeitas de ilegalidades, como a falta de expertise da ONG na implementação de rede wi-fi, o recebimento de 26 milhões de reais sem que o serviço tivesse sido efetivamente prestado, a falta de concorrência na licitação e, ainda, a possibilidade do mesmo serviço ser prestado pela empresa pública municipal (Prodam) por valor significativamente inferior. Havendo indícios da prática de crimes licitatórios, determino a remessa dos autos à Delegacia de Polícia para a apuração dos fatos”, diz o pedido da promotora Fabíola Cezarini, da 6° Promotoria de Justiça Criminal.
Em outra frente, a Polícia Federal investiga se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro para financiar a cinebiografia também teria sido usado para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Desde a divulgação de áudios e mensagens envolvendo Flávio e Vorcaro, bolsonaristas apresentaram versões diferentes sobre o destino dos recursos.
Flávio admitiu os aportes de Vorcaro ao filme e as cobranças sobre “parcelas” não pagas. Já Mario Frias (PL-SP), a Go Up e Eduardo negaram financiamento do dono do Master ou de empresas ligadas a ele. Depois, Eduardo afirmou ter sido mal interpretado ao dizer que “não há um centavo do Master”: “Nosso relacionamento foi com a Entre, pessoa jurídica distinta”.



