
A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já articula uma estratégia para as eleições com foco no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provável adversário na disputa presidencial. O plano prevê caracterizar o parlamentar como representante de interesses do sistema, com críticas relacionadas à sua trajetória política, denúncias e posicionamentos ideológicos, segundo Igor Gadelha, do Metrópoles. As diretrizes foram apresentadas pelo publicitário Raul Rabelo durante o 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, que revelou os detalhes da estratégia.
Segundo o material exibido na apresentação, Flávio Bolsonaro aparece no topo de uma estrutura simbólica associada a termos como “corrupto” e “operador da familícia”, referência às investigações e acusações envolvendo o entorno da família Bolsonaro no Rio de Janeiro. A peça também o posiciona como representante de um “Brasil do retrocesso”, além de caracterizá-lo como “anti-povo” e “entreguista”, em menção à proximidade política do grupo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante o evento, Raul Rabelo detalhou a linha narrativa que deverá orientar a comunicação da campanha. “É um projeto de retrocesso, é um Brasil anti-povo, entreguista, que só faz politicagem. Nunca fez nada na vida, tem quase 30 anos de serviço público. Qual foi o projeto que esse cara fez? O que esse cara fez pelo Brasil? O que aconteceu? Não tem”, afirmou o marqueteiro.
Outro eixo central da estratégia será o tema da soberania nacional, considerado prioritário pelo entorno de Lula. Nesse contexto, integrantes do partido avaliam que um eventual apoio público de Donald Trump ao senador poderia reforçar a narrativa defendida pela campanha petista.
Além disso, a apresentação incluiu vídeos que buscam relacionar Flávio Bolsonaro ao chamado Caso Master e relembrar denúncias de rachadinha envolvendo o senador. Ao comentar o posicionamento eleitoral, Rabelo declarou: “É o candidato do sistema, dos super-ricos, da Faria Lima, é um Bolso Master. É isso aí que Flávio Bolsonaro representa e é esse adversário que, tudo indica, a gente vai enfrentar, tudo indica, agora e no segundo turno”.
O material exibido também trouxe resultados de pesquisas qualitativas utilizadas pela campanha. Segundo o publicitário, uma das conclusões recorrentes foi sintetizada na frase: “Ele não transmite confiança”.



