
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelou detalhes de um plano articulado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas. Segundo a investigação, o empresário José Ricardo Ramos recebeu um Porsche 911 Carrera, avaliado em quase R$ 1 milhão, como forma de pagamento para organizar a emboscada. Ele e o empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, foram presos nesta sexta-feira (29) em Campinas.
De acordo com o MP, Maurício teria decidido ordenar o assassinato para recuperar “prestígio” no meio criminoso após ser alvo de operação de busca e apreensão em fevereiro deste ano. O plano, elaborado com apoio do chefe do PCC Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, incluía a contratação de atiradores no Rio de Janeiro e o uso de uma caminhonete Hilux blindada adaptada para acoplar uma metralhadora calibre .50.
As investigações apontam que José Ricardo ficou responsável por adquirir veículos e armamento, além de monitorar a rotina do promotor com a ajuda de Thiago Salvador, dono de um lava-rápido em Campinas. Em troca, teria recebido o Porsche vermelho, vendido logo em seguida, além de um carro blindado entregue em Goiás para uso no atentado.
O promotor Amauri Silveira Filho relatou em entrevista que o grupo planejava usar ex-militares como operadores experientes, reforçando a gravidade da ameaça. O mesmo esquema também tinha como alvo o comandante de uma polícia de São Paulo, cujo nome não foi divulgado. O MP informou que a operação desta sexta não está ligada à megaoperação contra o PCC no setor de combustíveis, deflagrada um dia antes.

Além de José Ricardo e Maurício, as investigações apontam Sérgio “Mijão” como um dos principais articuladores do plano. Foragido e possivelmente escondido na Bolívia, ele é considerado um dos maiores operadores do tráfico de drogas no país. O MP apreendeu celulares, computadores e documentos em endereços ligados aos suspeitos, incluindo a loja de motos Dragão Motors e o lava-rápido Eco Wash, ambos em Campinas.
As defesas negam envolvimento no caso. O advogado de José Ricardo afirmou que ele “jamais aceitaria participar de um plano dessa natureza”. Já os representantes de Maurício alegaram não ter acesso completo aos autos, mas garantiram que o empresário e outros investigados não participaram da conspiração. As autoridades seguem investigando para identificar todos os envolvidos.