POLÍTICA

Polícia encontra clínica de acupuntura em sede de empresa ligada ao caso “Dark Horse”

Trecho do trailer de “Dark Horse”. Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo encontrou uma clínica de fisioterapia e acupuntura funcionando no mesmo endereço da Complexsys Soluções, empresa investigada por envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos que teria relação com a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O local, na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, foi alvo de busca e apreensão em 1º de junho.

Durante a operação, agentes do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) procuravam documentos ligados à empresa e encontraram uma maca de atendimento, equipamentos terapêuticos e materiais usados em procedimentos de fisioterapia e acupuntura. Segundo relatório policial, o imóvel possuía um espaço destinado aos atendimentos e outro utilizado como escritório.

A investigação tem como foco contratos firmados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG que recebeu R$ 108 milhões da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista. Os investigadores apuram se parte dos recursos foi desviada e utilizada para financiar o filme “Dark Horse”.

A Complexsys foi contratada pelo ICB por R$ 8,6 milhões para executar parte das instalações. De acordo com o inquérito, uma nota fiscal de R$ 2 milhões apresentada pela entidade na prestação de contas teria sido posteriormente cancelada pela própria empresa. A polícia suspeita que o documento tenha sido utilizado de forma irregular para justificar gastos com recursos públicos.

No cumprimento dos mandados, os policiais foram recebidos por André Feldman, apontado como representante das empresas ligadas ao endereço. Foram apreendidos dois notebooks, dois pen drives, um iPhone e diversos documentos relacionados às atividades da Complexsys.

Sala de fisioterapia na sede da Complexsys. Foto: Reprodução

Debora Feldman, esposa de André, afirmou ao Metrópoles que é responsável pelos atendimentos realizados no local. “Eu faço a fisioterapia e a acupuntura também. A clínica e as empresas funcionam juntas”, declarou. A defesa do casal foi procurada para comentar as suspeitas sobre o contrato investigado, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Em nota, a Complexsys afirmou que atua apenas como prestadora de serviços do ICB e declarou acompanhar a investigação com tranquilidade. A empresa sustentou que suas atividades foram realizadas dentro da legalidade, com emissão regular de notas fiscais, e ressaltou que não há conclusões definitivas sobre eventuais responsabilidades no caso.

As apurações também examinam ligações entre a Complexsys, integrantes do ICB e contratos firmados com a São Paulo Turismo (SPTuris). A Operação Wi-Fi investiga ainda suspeitas de superfaturamento, pagamentos antecipados sem contraprestação adequada, descumprimento de metas e possível falta de capacidade técnica da ONG para executar o projeto contratado pela Prefeitura de São Paulo.

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