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Quem é Luiz Estevão, dono do Metrópoles preso por corrupção que recebeu R$ 27 milhões do Master

O nome de Luiz Estevão, empresário e proprietário do portal de notícias Metrópoles, voltou a circular intensamente na mídia. A razão é a recente revelação de que o Banco Master realizou repasses vultosos, totalizando mais de R$ 27 milhões, para empresas ligadas ao grupo Metrópoles entre 2024 e 2025. Segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), parte significativa desses valores foi rapidamente direcionada para outras empresas controladas pelo próprio Estevão e seus familiares, levantando suspeitas sobre a natureza dessas transações.

O documento do Coaf classifica as operações como “inusitadas”, indicando que as movimentações financeiras apresentaram um padrão atípico em comparação com o faturamento declarado pela empresa. Essa descoberta reacende o debate sobre a trajetória de Luiz Estevão, uma figura conhecida por sua atuação em diversos setores, mas também marcada por um histórico de condenações judiciais e passagens pela prisão. A relação com o Banco Master, que também enfrenta investigações por suspeitas de fraude financeira e foi recentemente liquidado pelo Banco Central, adiciona uma camada extra de complexidade à situação.

Conforme apurado e divulgado pelo jornal Estadão, o Banco Master, sob o controle de Daniel Vorcaro (atualmente preso), teria sido o principal responsável por transferir os recursos ao Metrópoles. Essa informação surge em um momento delicado para a instituição financeira, que passava por uma grave crise. A investigação do Coaf detalha como parte dos fundos destinados ao Metrópoles acabou sendo reencaminhada para empresas como Madison Gerenciamento, Sense Construções e Macondo Construções, todas com estreita ligação com Luiz Estevão ou seus parentes. A notícia levanta questionamentos sobre a transparência e a ética nas relações empresariais e midiáticas.

O passado de Luiz Estevão: ex-senador cassado e condenado por corrupção

Luiz Estevão não é uma figura nova nos escândalos de corrupção no Brasil. Ele se tornou notório por ser o primeiro senador da história do país a ter seu mandato cassado. A decisão ocorreu no ano 2000, em decorrência de seu envolvimento em um dos maiores esquemas de desvio de verbas públicas da época, relacionado às obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, nos anos 1990. Após uma longa e árdua batalha judicial, Estevão foi condenado a uma pena de 31 anos de prisão por crimes graves, incluindo corrupção ativa, peculato, estelionato e formação de quadrilha.

Apesar da condenação, o cumprimento efetivo da pena só se iniciou em 2016, após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar os últimos recursos apresentados pela defesa. A imagem de Luiz Estevão, então dono do Metrópoles, sendo preso pela Polícia Federal em 2014, remete a esse período de intensas disputas legais e ao desenrolar de um caso que abalou a política brasileira.

Da prisão ao indulto: a progressão da pena de Luiz Estevão

Após anos de recursos e processos judiciais, Luiz Estevão iniciou o cumprimento de sua pena em regime fechado. Com o passar do tempo e o bom comportamento, ele obteve progressão para o regime semiaberto e, posteriormente, para o regime aberto. Em 2020, deixou a prisão para cumprir pena em regime domiciliar, uma medida adotada em larga escala durante a pandemia de Covid-19. Mais tarde, um indulto presidencial, concedido com base em um decreto de Natal assinado pelo então presidente Jair Bolsonaro, permitiu o perdão da pena para condenados com mais de 70 anos que já tivessem cumprido parte da condenação, o que incluía crimes como corrupção.

Atuação empresarial em Brasília e no esporte

Mesmo com seu histórico judicial, Luiz Estevão manteve uma forte e influente atuação empresarial, especialmente em Brasília. Ele é o controlador do Grupo OK, conglomerado com interesses em setores como o imobiliário, de eventos e de comunicação. Nos últimos anos, sua presença se expandiu para o setor esportivo, onde passou a atuar diretamente na organização de eventos e na negociação de direitos comerciais de competições importantes, como a Série D do Campeonato Brasileiro. Foi nesse contexto que se articulou um acordo de patrocínio e venda de direitos de nomeação para a competição em 2025 com o Will Bank, entidade anteriormente ligada ao Banco Master.

Metrópoles e as reportagens sobre o Banco Master: conflito de interesses?

A revelação dos repasses milionários do Banco Master ao Metrópoles ocorre em um momento peculiar. O portal de notícias, sob o comando de Luiz Estevão, vinha publicando uma série de reportagens que investigavam e questionavam as relações do Banco Master com políticos e outras figuras importantes. No entanto, o próprio Metrópoles optou por não informar aos seus leitores sobre o recebimento desses vultosos valores por parte da empresa. Essa omissão gerou críticas de especialistas e advogados, que apontam um possível conflito de interesses e questionam a isenção jornalística do veículo. O histórico recente do Metrópoles também inclui outros episódios controversos, como a publicação de informações incorretas sobre o Sindnapi e uma tentativa de vender conteúdo pago à entidade antes de sua divulgação.

A defesa de Luiz Estevão: “dinheiro que eu recebi passa a ser meu”

Diante das acusações e questionamentos, Luiz Estevão negou veementemente qualquer irregularidade nos repasses recebidos pelo Metrópoles. Ele defende que os valores possuem origem contratual e que a liberdade de gerir seus próprios recursos é absoluta. “O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser”, declarou Estevão. Ele também argumenta que os valores transferidos não seriam excessivos e que parte deles sequer teria sido completamente quitada pelo banco, reforçando a tese de uma relação comercial regular.

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