POLÍTICA

Estadão acusa Lula de “puxar briga” com Trump

Donald Trump e Lula. Foto: reprodução

Em novo editorial, o Estadão acusou o presidente Lula (PT) de ir à Europa para, deliberadamente, “puxar briga” com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o jornal paulista, o petista quis fazer “teatro diplomático” para gozar de um suposto “patriotismo de palanque”. O Estadão afirmou ainda que o presidente sacrifica relações estratégicas com os EUA, como uma suposta cooperação policial, para criar antagonismo externo e tentar aumentar popularidade. O texto classifica a abordagem de Lula como “inconsequente e irresponsável”:

tour do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Europa e a crise diplomática fabricada com a polícia dos EUA, longe de serem episódios desconexos, são táticas de uma mesma estratégia: a instrumentalização da política externa a serviço da campanha eleitoral. O presidente fala ao mundo, mas seu alvo é o eleitor brasileiro. […]

Não se trata de divergências legítimas e legitimamente conduzidas entre Estados, mas de um embate personalizado, empacotado em linguagem de palanque. Nem líderes de potências rivais, como Xi Jinping, Vladimir Putin ou Kim Jong-un, adotam com tanta frequência e impudência essa retórica performática. Ao fazê-lo, o Brasil não afirma sua soberania – ao contrário, só a compromete.

O próprio Lula admitiu em entrevista que uma intervenção de Trump no Brasil lhe renderia dividendos. […]

O que se viu na Europa foi um teatro miniaturizado da diplomacia lulopetista: fóruns ideologicamente alinhados, platitudes humanitárias, conjurações de espantalhos (o “fascismo”, o “neoliberalismo”, os super-ricos), indignação seletiva e conivência com tiranias de esquerda e rigor com democracias à direita, além de conclamações a intervenções estatais, como nas redes sociais, sob pretextos vaporosos – a “soberania”, a “democracia”, as “crianças”.

[…] Um canal sensível de cooperação institucional foi subvertido em instrumento de embate político. Relações entre agências construídas ao longo de décadas foram sujeitadas à lógica da sinalização midiática. A técnica cede lugar à coreografia do confronto. O interesse nacional, que deveria nortear a política externa, é subordinado a cálculos marqueteiros.

O Brasil mantém com os EUA uma relação estratégica de mais de dois séculos, sustentada por interesses comerciais, institucionais e de segurança. Preservá-la – ainda mais diante de um presidente notoriamente volátil – exige mais do que “química”. É preciso discrição, consistência, senso de proporção, canais abertos e azeitados.

Em vez de resguardar o Brasil das turbulências externas, o presidente se apressa em crispá-las como combustível eleitoral. A “soberania” que Lula invoca não se traduz em estratégia, mas em slogan. A diplomacia é abastardada para servir à vanglória do demiurgo. Lula usa vitrines internacionais para comprar aplausos lá e votos aqui – e repassa a fatura à sociedade brasileira.

Em suas pantomimas pacifistas, Lula recriminou a guerra contra o Irã como “irresponsável” e “inconsequente”. Não é preciso entrar no mérito para notar que descrevia com precisão involuntária sua própria atuação: inconsequente e irresponsável é sua guerrilha contra Trump.

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