
A China estabeleceu um novo recorde em investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) experimental em 2025, com um aporte de 3,9262 trilhões de yuans, o equivalente a R$ 3 trilhões. Este valor representa um aumento significativo de 8,7% em relação ao ano anterior, demonstrando a força da nação asiática em impulsionar a inovação e a ciência.
A intensidade dos gastos em P&D, medida como a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) destinada a esta área, alcançou 2,8% em 2025. Este índice não só representa um crescimento de 0,12 ponto percentual em comparação com 2024, como também ultrapassou pela primeira vez a média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Esses dados foram divulgados pelo diretor do Escritório Nacional de Estatísticas da China, Kang Yi, em uma coletiva de imprensa que detalhou o desempenho econômico do país no ano. A China tem demonstrado um compromisso contínuo com a pesquisa, com um crescimento médio anual de 10% em investimentos de P&D durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025).
China Avança em Campos de Ponta e Lidera Ranking de Inovação Mundial
O país asiático tem colhido frutos de seus investimentos, alcançando sucessos notáveis em áreas de ponta como inteligência artificial, tecnologia quântica e interfaces cérebro-computador. Diversas conquistas importantes em pesquisa científica foram registradas, solidificando a posição da China na vanguarda tecnológica global.
Entre os exemplos de avanços científicos e tecnológicos, destacam-se o voo inaugural bem-sucedido do veículo aéreo não tripulado “Jiutian”, a missão “caça-estrelas” Tianwen-2 e o trem de alta velocidade CR450, que estabeleceu um novo recorde de “velocidade chinesa”. Conforme a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, o índice de inovação da China entrou pela primeira vez entre os dez primeiros do mundo.
Manufatura de Alta Tecnologia Impulsionada por Inovação e Robótica
O valor agregado da manufatura de alta tecnologia na China expandiu 9,4% em 2025, respondendo por 17,1% do valor total das indústrias acima de um determinado porte. O setor de fabricação de equipamentos, em particular, registrou uma participação de 36,8%, um aumento de 2,2 pontos percentuais.
Robôs humanoides, que antes apareciam apenas em eventos culturais, agora estão sendo integrados em fábricas, evidenciando o avanço das “forças produtivas de nova qualidade”, como descrito por Kang Yi. A produção de robôs industriais cresceu 28%, enquanto a de drones civis aumentou 37,3%.
A fabricação de circuitos integrados também apresentou um crescimento expressivo de 26,7%, com dispositivos optoeletrônicos avançando 18,8%. A produção de chips de memória e servidores, impulsionada pelo desenvolvimento da inteligência artificial, cresceu 22,8% e 12,6%, respectivamente.
Transição Energética Acelerada: Renováveis Superam Fontes Fósseis
Um marco significativo na transição energética chinesa foi alcançado em 2025, quando a capacidade instalada de energia eólica e solar ultrapassou, pela primeira vez, a de energia termoelétrica. A proporção de energia não fóssil no consumo total aumentou cerca de 2 pontos percentuais, superando o petróleo e se tornando a segunda maior fonte de energia do país.
A geração de energia a partir de fontes renováveis, incluindo hidrelétrica, nuclear, eólica e solar, atingiu 3.421,3 bilhões de quilowatts-hora, um aumento de 8,8%. Isso representa 35,2% da geração total, um crescimento de 2,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A geração solar avançou 24,4%, enquanto a eólica cresceu 9,7%.
Além disso, a capacidade instalada de armazenamento de novas energias ultrapassou 100 milhões de quilowatts, respondendo por mais de 40% da capacidade global e posicionando a China em primeiro lugar mundial. A produção anual e o volume de vendas de veículos de nova energia superaram a marca de 16 milhões de unidades, mantendo a liderança mundial pelo 11º ano consecutivo.
Setor de Serviços Lidera Contribuição ao Crescimento Econômico
O setor de serviços demonstrou sua força como motor da economia chinesa em 2025, registrando um valor agregado de 80,9 trilhões de yuans (R$ 60,68 trilhões) e um crescimento de 5,4%. Este setor foi responsável por 61,4% do crescimento econômico nacional, com sua participação no PIB alcançando 57,7%.
Áreas como transmissão de informações, software e serviços de tecnologia da informação apresentaram um crescimento de 11,1%, enquanto leasing e serviços empresariais avançaram 10,3%. O consumo de serviços também apresentou um aumento de 5,5% nas vendas no varejo, superando o crescimento das vendas de mercadorias.
As vendas online no varejo cresceram 8,6%, impulsionadas por novos modelos como comércio eletrônico por transmissões ao vivo e varejo instantâneo. O volume de transações de e-commerce por transmissões ao vivo aumentou 11,3%, refletindo a crescente digitalização do consumo.
Desafios e Perspectivas para o Futuro da Economia Chinesa
Apesar dos avanços notáveis, as autoridades chinesas reconhecem a existência de desafios estruturais. O impacto das mudanças no ambiente externo e a contradição entre oferta forte e demanda fraca internamente foram apontados como pontos de atenção, com riscos ocultos em áreas-chave.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) manteve-se estável, com uma alta de 0,8% em dezembro, o maior aumento desde março de 2023. Para 2026, o governo chinês pretende implementar políticas macroeconômicas mais proativas para impulsionar a demanda interna, conforme anunciado por Kang Yi.
Apesar dos desafios, as oportunidades para o crescimento da China superam os obstáculos, com as condições favoráveis prevalecendo sobre os fatores desfavoráveis. A contribuição média anual da China para o crescimento econômico global durante o 14º Plano Quinquenal atingiu cerca de 30%, consolidando o país como um principal motor do crescimento mundial.



