POLÍTICA

Como ministros do STF avaliam relação íntima de Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, nos bastidores, que a revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro deve gerar, em um primeiro momento, mais desgaste político do que efeito jurídico imediato para o senador. O caso envolve um pedido de recursos para supostamente financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Três ministros ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que o material divulgado até agora ainda não permite concluir pela existência de crime. Um integrante da Corte avalia que, se o pedido tiver sido apenas de patrocínio privado para uma produção privada, não haveria problema jurídico evidente.

“Se for, como dizem, um pedido de patrocínio para o filme com promessa de participação do patrocinador na bilheteria, não vejo problema. Mas acho que causa algum estrago político”, avaliou à coluna o ministro do Supremo.

Apesar disso, outra ala do STF entende que há pontos a serem esclarecidos e não descarta uma investigação criminal. Para esses magistrados, é necessário apurar se os valores citados foram realmente destinados ao filme ou se tiveram outro destino. Também há dúvidas sobre eventual atuação de Flávio em favor de Vorcaro em Brasília.

A negociação foi revelada pelo site The Intercept Brasil. O portal divulgou um áudio em que Flávio cobra de Vorcaro o patrocínio ao filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro até a presidência. A conversa teria ocorrido até 16 de novembro de 2025, um dia antes de o banqueiro ser preso por ordem do STF e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Segundo o Intercept, o contrato de patrocínio chegaria a R$ 134 milhões. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, negou ter recebido recursos de Vorcaro. Em nota, afirmou que a produção não recebeu “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do longa, também negou irregularidades. Em nota, disse que Flávio não teve participação societária no filme nem na produtora. Segundo Frias, o papel do senador “limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados” em financiar o projeto.

A explicação da produtora e de Frias, porém, aumentou as dúvidas entre ministros do STF. Para parte da Corte, se o dinheiro não chegou à produção, será preciso identificar para onde os valores foram enviados e se houve contrapartida política.

Em nota à imprensa, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro, mas negou ter cedido vantagens ao banqueiro no Congresso. O senador afirmou que a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado” sobre a história do pai, tentando ainda atacar o governo Lula, alegando que “não gasta dinheiro público para propaganda”.

Flávio também disse que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações relacionadas ao Banco Master. Segundo o senador, o contato foi retomado em 2025 por causa do atraso nas parcelas do patrocínio.

O pré-candidato à Presidência, porém, não explicou a relação de “intimidade” que tinha e foi citada nos áudios, tampouco o que fez para ter tamanha liberdade com Vorcaro. Além disso, durante as apurações do Intercept, Flávio chegou a dizer que não conhecia o banqueiro e que os pagamentos seriam mentiras, chamando o repórter de “militante”. Não comentou também a contradição.

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