POLÍTICA

Brasil monitora tensão entre EUA e Venezuela e avalia impacto em Roraima

USS Lake Erie, dos EUA, cruza o Canal do Panamá em mobilização perto da Venezuela. Foto: MARTIN BERNETTI / AFP

Nicolás Maduro mobilizou as Forças Armadas e passou a visitar bases militares após a intensificação da presença naval dos Estados Unidos no Caribe. Na noite de sexta-feira, o cruzador de mísseis guiados USS Lake Erie cruzou o Canal do Panamá rumo ao Atlântico, somando-se a uma força que inclui um submarino nuclear, navios de guerra e cerca de 4,5 mil militares próximos à costa venezuelana.

Em tom patriótico, Maduro classificou o deslocamento como “cerco hostil que viola a Carta da ONU” e tem usado os atos com tropas para reforçar o discurso de defesa da soberania. Washington não reconhece a legitimidade do líder venezuelano, o acusa de envolvimento com o narcotráfico e mantém recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.

Nos últimos dias, o governo convocou duas jornadas de alistamento e reforçou a Milícia Nacional Bolivariana, braço civil de apoio às Forças Armadas. Maduro fala em 4,5 milhões de milicianos “prontos para defender o país”, número contestado por especialistas. Meios estatais intensificaram convocações com slogans nacionalistas e apelos por voluntários.

Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução

Do lado norte-americano, a previsão é posicionar, nos próximos dias, três navios lançadores de mísseis em águas internacionais próximas à Venezuela, sob o argumento de operações contra o narcotráfico. O movimento ocorre após, em julho, o Tesouro dos EUA designar o “Cartel de los Soles” como entidade terrorista global, apontando Maduro como chefe do esquema.

Analistas divergem sobre o risco de uma intervenção militar direta dos EUA. A avaliação majoritária descarta uma operação ampla, mas não elimina ações pontuais contra alvos do regime. A presença militar na região acende alerta para impactos humanitários, como potencial aumento do fluxo migratório rumo a Roraima, na fronteira brasileira.

A cúpula das Forças Armadas do Brasil acompanha a aproximação dos meios navais e monitora efeitos no território nacional. Até o momento, não há decisão sobre reforço de tropas na fronteira, e a orientação é tratar o tema com discrição enquanto a situação evolui.

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