
Atingido pela Lei Magnitsky, o ministro Alexandre de Moraes pode ficar restrito a apenas uma opção de cartão de crédito: a bandeira Elo. O magistrado do STF já teve um cartão de bandeira americana bloqueado e, se novas sanções forem aplicadas, restaria a ele a utilização da Elo, única bandeira nacional ainda em operação, conforme informações da Folha de S.Paulo.
Criada em 2011 por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa, a marca hoje conta com 41 milhões de cartões ativos, aceitos em 11 milhões de estabelecimentos e emitidos por 37 instituições financeiras, como Alelo, BV, Palmeiras Pay, Pernambucanas, Banco Pan, iFood, além dos controladores.
Com a Elo, Moraes poderia driblar os efeitos das punições impostas pela lei americana, já que operações realizadas exclusivamente no Brasil não estão sujeitas às restrições dos Estados Unidos.
“Se a operação é toda nacional, sem nenhum elemento de conexão internacional, inclusive com a jurisdição dos EUA, em teoria, não deveria haver restrição, sujeitando-se às regras locais”, explicou Fabio Braga, sócio do Demarest.

Ainda assim, especialistas alertam que, se o cartão for emitido por bancos com atuação nos EUA, pode haver consequências.
“Estamos navegando por um mar desconhecido. Não sabemos até onde as sanções podem ir e a situação pode escalar. Mas, como a Elo é brasileira, está menos exposta, o que não significa isenta”, disse Ricardo Botelho, do escritório Marchini, Botelho, Caselta e Della Valle Advogados.
A Elo hoje é a única bandeira nacional, após a extinção da Hipercard, adquirida pela Mastercard em 2020 e retirada do mercado em julho de 2025. Para atuar fora do país, a Elo possui linhas internacionais em parceria com a Diners Club, mas reforça em sua comunicação a identidade brasileira.
A empresa oferece cartões de crédito, débito, pré-pagos e soluções digitais como tokenização, QR Code e NFC. Em 2023, reposicionou sua marca como “O cartão do brasileiro” e, em 2024, lançou a campanha “Brasileiros Extraordinários”, estrelada por nomes como Sasha Meneghel, Bela Gil e João Carlos Martins.