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China supera Estados Unidos em imagem global pela primeira vez em pesquisa do Pew Research Center

A China passou a ser vista de maneira mais favorável do que os Estados Unidos na maior parte dos países analisados pelo Pew Research Center, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira. É a primeira vez, em aproximadamente duas décadas de levantamentos da instituição, que Pequim supera Washington na avaliação global.Play Video

As informações foram publicadas pelo jornal chinês Global Times, com base nos resultados oficiais do Pew e em reportagens de veículos como Associated Press, Washington Post, BBC e Bloomberg. O levantamento ouviu 42.151 adultos em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio.

Na maioria das nações pesquisadas, a parcela da população que manifesta uma opinião favorável sobre a China é agora superior àquela que avalia positivamente os Estados Unidos.

A mudança também foi registrada entre aliados históricos de Washington. Reino Unido, Canadá, França e Alemanha passaram a demonstrar uma percepção mais favorável em relação à China. No ano anterior, as populações desses quatro países viam os Estados Unidos de forma mais positiva ou em nível semelhante ao registrado pela China.

Estados Unidos mantêm vantagem em apenas seis países

De acordo com os dados do Pew Research Center, os Estados Unidos são vistos de forma mais favorável do que a China em apenas seis dos 36 países pesquisados.

Quatro dessas nações ficam na região da Ásia-Pacífico: Índia, Japão, Filipinas e Coreia do Sul.

Laura Silver, diretora associada da área de Atitudes Globais do Pew Research Center e uma das responsáveis pelo estudo, afirmou que o resultado representa uma mudança inédita na série histórica da organização.

“Algumas das avaliações que vemos sobre os Estados Unidos estão em níveis historicamente baixos ou próximos disso”, declarou Silver, segundo o Washington Post.

O avanço da imagem chinesa também aparece em pesquisas realizadas por outras instituições. De acordo com a BBC, a empresa de pesquisas Gallup identificou que a China superou os Estados Unidos nos índices globais de aprovação no ano passado, com a maior diferença favorável a Pequim em duas décadas.

Especialista destaca continuidade da política externa chinesa

Para Sun Xihui, pesquisador associado do Instituto Nacional de Estratégia Internacional da Academia Chinesa de Ciências Sociais, o resultado está relacionado à consistência da política externa adotada por Pequim.

Em entrevista ao Global Times, Sun afirmou que a China tem mantido uma política baseada na não interferência nos assuntos internos de outros países, na abertura econômica e na cooperação de benefício mútuo.

Segundo ele, essa continuidade representa um dos principais fatores por trás do crescimento da percepção favorável em relação à China.

“Esses países dependem fortemente de produtos acessíveis e de qualidade para promover o crescimento econômico e melhorar os padrões de vida — uma demanda que a China está bem posicionada para atender, fortalecendo os vínculos entre essas economias e os produtos e mercados chineses”, afirmou.

O especialista destacou ainda que projetos internacionais desenvolvidos pela China procuram oferecer benefícios compartilhados às partes envolvidas, criando relações econômicas de longo prazo.

Instabilidade da política dos EUA influencia percepções

Parte da imprensa ocidental relacionou a mudança na opinião pública à volatilidade da política externa norte-americana e às tensões entre Washington e seus próprios aliados.

A Associated Press informou que a alteração nas percepções globais foi impulsionada, em parte, pelo agravamento das divergências entre os Estados Unidos e países tradicionalmente alinhados a Washington.

A BBC citou Chong Ja Ian, pesquisador não residente do centro Carnegie China, que relacionou a queda da imagem norte-americana às mudanças frequentes na política externa do país.

“A volatilidade da política dos Estados Unidos, incluindo o uso da força e os prejuízos econômicos resultantes, deixou muitas pessoas apreensivas”, afirmou Chong.

O levantamento do Pew também indica que, em 17 países de renda média, os entrevistados demonstraram mais preocupação com a atuação internacional dos Estados Unidos do que com a da China.

Nessas nações, uma parcela maior da população considera a China uma “parceira confiável” e avalia que o país contribui “muito” ou “razoavelmente” para a paz e a estabilidade mundial, segundo dados citados pela Bloomberg.

China avança na percepção dos países latino-americanos

Na América Latina, as avaliações sobre a China se tornaram ligeiramente mais positivas do que as opiniões em relação aos Estados Unidos.

Segundo o Pew, essa mudança ocorreu principalmente devido à deterioração da imagem norte-americana na região.

Os entrevistados latino-americanos também demonstraram ser muito mais propensos a afirmar que os Estados Unidos interferem nos assuntos internos de outros países do que a fazer a mesma avaliação sobre a China.

Para Sun Xihui, as sucessivas intervenções norte-americanas na região contribuíram para desgastar a credibilidade de Washington.

A China, por outro lado, teria mantido uma estrutura mais previsível de cooperação com as nações latino-americanas, especialmente por meio do comércio, de investimentos em infraestrutura e da ampliação das relações diplomáticas.

“A cooperação estável e previsível com a China parece trazer melhorias reais às condições de vida e ao desenvolvimento local em toda a América Latina, o que provavelmente contribui para que os moradores da região vejam a China de maneira mais positiva do que os Estados Unidos”, afirmou Sun.

Cooperação econômica amplia presença chinesa

A expansão das relações econômicas chinesas com países em desenvolvimento tem sido marcada pela oferta de produtos industriais, investimentos em infraestrutura, financiamento de projetos e abertura de mercados para exportações.

Para muitos países de renda média, a China se tornou uma das principais fontes de bens de consumo, máquinas, equipamentos e tecnologias a preços competitivos.

Esse processo também vem fortalecendo as relações comerciais e produtivas entre Pequim e as economias da América Latina, da África e da Ásia.

Ao mesmo tempo, a pesquisa sugere que a percepção internacional dos Estados Unidos vem sendo afetada por conflitos militares, sanções econômicas, disputas comerciais e mudanças frequentes nas prioridades diplomáticas de Washington.

O resultado do Pew indica, portanto, uma transformação relevante no equilíbrio da opinião pública internacional. Pela primeira vez desde que o instituto começou a acompanhar sistematicamente o tema, a China passou a registrar uma imagem mais favorável do que os Estados Unidos na maior parte dos países pesquisados. Com 247

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