POLÍTICA

Crise com Michelle expõe dificuldade de Flávio Bolsonaro para moderar discurso em 2026

A crise entre Michelle Bolsonaro e o chamado “grupo do exterior” tornou mais difícil a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de construir uma pré-campanha presidencial com discurso moderado para 2026 e maior abertura ao centro.

O atrito ganhou força depois que Michelle deixou a presidência do PL Mulher e publicou, na semana passada, um vídeo de quase 30 minutos no qual acusou Flávio de humilhação e de tentar excluir integrantes do partido das decisões internas.

No mesmo vídeo, a ex-primeira-dama atribuiu ao entorno bolsonarista ações contra sua imagem pessoal, supostamente articuladas fora do país. A manifestação abriu uma nova frente de desgaste entre a direção do PL e aliados que atuam no exterior.

O grupo apontado por integrantes do partido inclui Eduardo Bolsonaro, Allan dos Santos, Alex Ramagem e Oswaldo Eustáquio. Esse núcleo aparece em disputas sobre a linha de ataque político, pressões envolvendo sanções e tarifas dos Estados Unidos, críticas ao voto feminino, conflitos sobre o Pix e embates com outros nomes da direita.

sobre o Pix e embates com outros nomes da direita.

Flávio Bolsonaro
Eduardo e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Disputa envolve Eduardo, aliados no exterior e escolha de vice

Flávio reagiu para tentar afastar a pré-campanha de falas consideradas radicais e passou a defender a unidade do campo bolsonarista. A preocupação se concentra em episódios que dificultam uma aproximação com governadores aliados e setores do centro.

A tensão não começou com o vídeo de Michelle. Desde o início do ano, Flávio já havia pedido a Eduardo que moderasse críticas a governadores vistos como importantes para uma composição nacional em 2026.

A escolha do vice também virou ponto de disputa. Eduardo defendeu o nome da deputada Júlia Zanatta, enquanto alas mais pragmáticas do PL preferem um perfil considerado técnico, como Daniella Marques, para tentar ampliar o diálogo fora da base bolsonarista tradicional.

Flávio deve viajar aos Estados Unidos na próxima semana, em uma agenda tratada por interlocutores como tentativa de alinhar discursos com Eduardo, o núcleo externo e a coordenação da pré-campanha. Mesmo sem cargo formal na estrutura eleitoral, as manifestações desse grupo seguem pesando na estratégia para 2026.

Com DCM

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