
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, durante nova fase da Operação Compliance Zero. A ação mira integrantes da chamada “A Turma”, grupo descrito pelos investigadores como uma estrutura de coerção usada para intimidar críticos, monitorar autoridades e obter informações sigilosas em favor do banqueiro.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, a PF cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos, bloqueio de bens e sequestro patrimonial.
Segundo a investigação, Henrique Vorcaro já aparecia desde o início do caso ligado a movimentações financeiras suspeitas. Ele presidia a Multipar, empresa que, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao núcleo de Daniel Vorcaro.
O nome do pai do banqueiro ganhou mais peso na apuração depois que a PF afirmou ao STF que Daniel Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída a Henrique, mesmo após ser colocado em liberdade no fim de 2025. Segundo a corporação, os valores foram identificados durante medidas de bloqueio financeiro realizadas na segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano.
A PF afirmou que o montante, localizado junto à CBSF DTVM, conhecida no mercado financeiro como REAG, só foi descoberto graças às medidas executadas na nova etapa da investigação. No documento enviado ao STF, os investigadores classificaram o valor como uma “quantia impressionante” e sustentaram que a ocultação patrimonial continuou mesmo após a soltura do banqueiro.

“Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais”, escreveu a PF.
A investigação também apura a atuação de “A Turma” em ameaças e monitoramento de alvos. Uma delegada da Polícia Federal foi presa na mesma operação, suspeita de integrar o grupo. Em material apreendido, integrantes trataram de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A sugestão teria partido de Daniel Vorcaro e sido dirigida a Luiz Mourão, o “Sicário”.
De acordo com decisões anteriores de Mendonça, “Sicário” e um ex-policial também invadiam sistemas de órgãos federais, monitoravam pessoas ligadas aos interesses de Vorcaro e atuavam para limpar a imagem pública do Banco Master. “Sicário” morreu pouco depois de ser preso. A PF afirma que ele cometeu suicídio.
Segundo a corporação, o esquema investigado envolve crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, violação de sigilo funcional e organização criminosa. A defesa da família, liderada por Eugênio Pacelli, nega irregularidades e afirma que as transações foram legais e transparentes.



