
O pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (14), em operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado por suposta participação no grupo conhecido como “A Turma”, apontado pela PF como uma estrutura usada pelo dono do Banco Master para ameaçar adversários e monitorar alvos.
Segundo a Folha, uma delegada da Polícia Federal também foi presa na mesma operação, sob suspeita de integrar o grupo. A investigação afirma que “A Turma” atuava em ações de intimidação, espionagem e tentativa de blindagem da imagem pública de Daniel Vorcaro e do Banco Master.
O grupo aparece em material apreendido pela Polícia Federal. Em uma das conversas, seus integrantes trataram de “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A sugestão da agressão teria partido de Daniel Vorcaro e sido dirigida a Luiz Mourão, conhecido como “Sicário”, apelido associado a matadores de aluguel.
De acordo com decisões anteriores de prisão decretadas por André Mendonça, “Sicário” e um ex-policial também invadiam sistemas de órgãos federais, monitoravam pessoas ligadas aos interesses de Vorcaro e atuavam para limpar a imagem do banco e do ex-banqueiro. Segundo a investigação, isso ocorria por meio de pedidos forjados a plataformas digitais e pagamentos a editores para publicações favoráveis.
“Sicário” morreu pouco depois de ser preso. A Polícia Federal afirma que ele cometeu suicídio. Em março, também foi preso preventivamente Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, suspeito de organizar pagamentos ligados ao grupo.
Henrique Vorcaro também é apontado como participante ativo da rede de movimentações financeiras do Banco Master e do filho. Segundo a apuração, pai e filho participavam juntos de empresas que teriam sido usadas para ocultar patrimônio do esquema investigado.

Uma das empresas da família, a Multipar, movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos exclusivamente entre contas ligadas a Daniel Vorcaro. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que a movimentação sugere tentativa de ocultação patrimonial.
O relatório aponta que a maior parte das transações ocorreu dentro do próprio grupo econômico da família Vorcaro, envolvendo empresas como Hebron Participações e Alliance Participações. A Multipar transferiu R$ 51,4 milhões para a Alliance, também vinculada à família.
O Coaf também registrou repasses a membros da família. Henrique Vorcaro recebeu R$ 14,7 milhões da Multipar e depois devolveu parte dos recursos. Natália Vorcaro recebeu R$ 6,4 milhões, enquanto Aline Vorcaro, mãe de Daniel, aparece como beneficiária de R$ 20,9 milhões, o maior valor entre os familiares citados.
A defesa da família, liderada por Eugênio Pacelli, nega irregularidades e afirma que as transações foram legais e transparentes. As investigações, porém, seguem apurando se a rede de empresas foi usada para inflar ativos, ocultar patrimônio e sustentar operações suspeitas ligadas ao Banco Master.



