
Não é só Flávio: o financiamento por parte de Daniel Vorcaro de 61 milhões de reais para um filme picareta sobre Jair Bolsonaro revela uma engenharia financeira internacional, cujos trilhos levam diretamente à rotina do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O senador Flávio Bolsonaro centraliza os holofotes pelas cobranças explícitas gravadas em áudios revelados pelo Intercept, mas é impossível blindar Eduardo neste cenário.
Vorcaro não é um mecenas anônimo da cultura direitista, mas um banqueiro que operava cifras astronômicas cometendo fraudes com dinheiro público.
Ele atuou, ao que tudo indica, como sugar daddy de Eduardo. Não se trata de mera coincidência o fato de o Zero Três ter escolhido justamente o estado do Texas, nos Estados Unidos, para fixar sua residência.
Foi exatamente para lá, especificamente para as contas do Havengate Development Fund LP — um fundo controlado por aliados do deputado —, que os milhões de Vorcaro cruzaram a fronteira, de acordo com o Intercept.
A triangulação operada por Eduardo e pelo deputado Mário Frias na intermediação do longa ganha contornos de lavagem de capitais.
Eduardo Bolsonaro sempre se vendeu como o articulador da direita global, o homem das conexões com Washington, com a Argentina e com a Europa. Agora, descobre-se que a engrenagem que financiava o glamour malcheiroso de astros de Hollywood de segunda linha como Jim Caviezel dependia do bolso profundo de um banqueiro bandido.



