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Corpo de brasileira assassinada por Israel ainda não foi encontrado após bombardeio no Líbano

Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano. Foto: reprodução

O menino brasileiro Ali Ghassan Nader, de 11 anos, a mãe dele, Manal Jaafar, também brasileira, e o pai, o libanês Ghassan Nader, morreram após ataques israelenses no Líbano. Segundo familiares, o corpo da criança já foi enterrado, mas os de Ghassan e Manal ainda não foram encontrados.

Em entrevista à TV Globo, Bilal Nader, tio de Ali, afirmou que a família não morava mais na casa atingida, mas voltou ao local durante o cessar-fogo para buscar pertences. O imóvel ficava no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano.

“Como deu trégua, que pararam de atacar, eles foram para a cidade onde está a casa deles para dar uma olhada na casa. Aí olharam tudo, tomaram café da manhã, estavam preparando a mala e as coisas que eles iam levar embora da casa”, disse ele.

Segundo Bilal, os dois filhos do casal estavam do lado de fora no momento do ataque, enquanto os pais estavam dentro da residência. “Estavam meus dois sobrinhos do lado de fora, meu irmão e minha cunhada dentro e essa hora deu o bombardeio na casa deles. Os dois, meus sobrinhos voaram, o menor não resistiu”.

O filho mais velho do casal sobreviveu ao bombardeio e, de acordo com o tio, se recupera bem. A intensidade do ataque, porém, dificultou a localização dos corpos dos pais. “Meu irmão e minha cunhada até agora não conseguiram achar os corpos deles. Tão forte que foi o bombardeiro, a casa de três andares virou pedaços”, disse o cunhado da brasileira.

Escombros no Líbano após bombardeio israelense. Foto: AFP

O Itamaraty confirmou a morte dos brasileiros e informou que a embaixada do Brasil em Beirute está em contato com os familiares para prestar assistência. “A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio”, informou o ministério.

O Ministério das Relações Exteriores também condenou o ataque e afirmou que ele representa mais um exemplo das “reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo” anunciado em 16 de abril. Segundo o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nos ataques.

“Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah”, afirmou o Itamaraty.

No domingo (26), Israel iniciou novos ataques no sul do Líbano, apesar da prorrogação do cessar-fogo com o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo Irã, até a segunda quinzena de maio. Pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas, segundo autoridades locais.

O Exército israelense alegou que os ataques ocorreram após “repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah”. Pelos termos do acordo firmado em abril, Israel mantém o direito de realizar operações militares contra o grupo mesmo durante a trégua.

O Brasil defende que as tropas israelenses deixem imediatamente o Líbano e que o cessar-fogo entre Israel e Irã seja estendido ao território libanês, com garantia da soberania do país. A trégua foi prorrogada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após reunião entre autoridades israelenses e libanesas em Washington.

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