
Autoridades do governo do presidente Donald Trump admitiram em reuniões reservadas com o Congresso que não existiam informações de inteligência claras indicando um ataque iminente do Irã contra forças americanas. Essa revelação surge em meio à escalada militar e levanta sérias dúvidas sobre a justificativa apresentada pela Casa Branca para o início das operações, conforme noticiado pela agência Reuters.
As informações foram divulgadas após briefings realizados pelo Pentágono a parlamentares democratas e republicanos, focados em comissões de segurança nacional. A revelação contradiz declarações anteriores de membros do alto escalão do governo, que haviam sugerido que Trump agiu preventivamente diante de possíveis ações iranianas.
A operação militar, descrita como a mais ampla contra o Irã em décadas, já resultou em ataques a mais de mil alvos e na morte do Líder Supremo aiatolá Ali Khamenei, além de afundar embarcações militares iranianas. A ofensiva, que deve se estender por semanas, agora é questionada em sua base de inteligência.
O porta-voz da Casa Branca, Dylan Johnson, havia informado previamente que o Departamento de Defesa atualizaria congressistas sobre o andamento da operação. Trump, por sua vez, tem sustentado que a campanha militar visa impedir o Irã de obter armas nucleares, conter seu programa de mísseis e eliminar ameaças aos EUA e seus aliados, incentivando também a população iraniana a se levantar contra o governo.
Democratas Classificam Ofensiva como “Guerra de Escolha”
Parlamentares democratas expressaram forte desaprovação à decisão de Trump, rotulando a ofensiva como uma “guerra de escolha”. Eles também questionam os argumentos utilizados pela Casa Branca para abandonar negociações de paz, que, segundo o mediador Omã, ainda apresentavam potencial de avanço. A alegação de Trump sobre o Irã estar próximo de desenvolver capacidade para lançar mísseis balísticos contra o território americano não foi corroborada por relatórios de inteligência, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Primeiras Baixas Americanas no Conflito
O Comando Central dos Estados Unidos informou no domingo que três militares americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos em decorrência das operações. Outros soldados sofreram ferimentos leves, incluindo concussões e lesões por estilhaços. Desde o início das operações em larga escala ordenadas por Trump, aeronaves e navios de guerra americanos atingiram mais de mil alvos iranianos, incluindo a destruição de instalações subterrâneas de mísseis por bombardeiros B-2.
Opinião Pública Dividida sobre a Guerra
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no domingo revela uma divisão na opinião pública americana sobre os ataques. Apenas 27% dos entrevistados aprovam as ações militares, enquanto 43% desaprovam. Outros 29% afirmam não ter uma posição definida sobre a ofensiva. A falta de evidências concretas sobre a ameaça iraniana e o aumento das baixas americanas parecem influenciar essa percepção pública.
Contradições na Justificativa da Ação Militar
As reuniões reservadas no Congresso expuseram uma contradição significativa entre a narrativa pública do governo Trump e as informações de inteligência disponíveis. Enquanto o presidente e seus assessores alegavam que o Irã representava uma ameaça iminente e que os EUA agiram para se defender, o Pentágono, em comunicação direta com os legisladores, reconheceu a ausência de inteligência específica sobre um ataque preventivo iraniano. Essa disparidade alimenta o debate sobre a real necessidade e as consequências da guerra iniciada pelos Estados Unidos.



