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França, Noruega e Suécia Rejeitam “Conselho de Paz” de Trump, Sinalizando Divisões Globais

Uma nova iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a resolução de conflitos globais, denominada “Conselho de Paz”, tem enfrentado forte resistência de importantes nações europeias. França, Noruega e Suécia anunciaram publicamente sua recusa em aderir ao conselho, levantando preocupações sobre o potencial enfraquecimento do multilateralismo e do papel central das Nações Unidas no cenário internacional.

A proposta de Trump visa criar uma organização paralela para lidar com questões de paz e segurança, uma medida que muitos analistas interpretam como uma tentativa de Washington de aumentar sua influência unilateral em assuntos globais. A decisão dos países europeus de não participar sublinha as crescentes tensões entre os Estados Unidos e seus aliados tradicionais.

Enquanto isso, outras potências como Rússia, Brasil e China ainda não definiram suas posições, emitindo respostas ambíguas ou indicando que estão em processo de avaliação. A situação se desenrola em um contexto de divergências significativas entre a administração Trump e a Europa, incluindo disputas sobre temas como a Groenlândia.

Trump Ameaça Com Tarifas e Expressa Desapontamento com Recusas Europeias

Em resposta à recusa francesa, Donald Trump não hesitou em impor medidas de retaliação, ameaçando com a aplicação de tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes provenientes da França. Essa ação demonstra a determinação do presidente americano em pressionar os países a aderirem à sua iniciativa de “Conselho de Paz”.

O presidente também manifestou publicamente seu descontentamento com a Noruega, afirmando ter “perdido o respeito” pelo país. Embora a alusão à influência norueguesa na decisão de não conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2025 ao país tenha sido feita, é importante notar que o prêmio é concedido por um comitê independente, não pelo governo.

China e Rússia Avaliam Proposta, Enquanto Aliados dos EUA Confirmam Participação

A China, por sua vez, indicou ter recebido a proposta, mas manteve sua posição em sigilo, sem detalhar se irá aderir. No entanto, o país reiterou seu compromisso com a ONU, considerando-a a “pedra angular” do sistema internacional, o que sugere uma tendência a manter distância da iniciativa de Trump.

O Kremlin confirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu o convite para o “Conselho de Paz”. Embora tenha elogiado as intenções declaradas da organização, a Rússia ainda não especificou se fará parte do órgão. O Brasil, através do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também recebeu o convite, mas a decisão ainda não foi tomada.

Em contrapartida, a Casa Branca anunciou que cerca de 35 chefes de Estado e de governo já concordaram em aderir ao “Conselho de Paz”. Entre os países que confirmaram presença estão Israel, Argentina, Egito, Paraguai, Azerbaijão, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, todos considerados aliados próximos de Washington.

Conselho de Paz de Trump: Potencial para Substituir a ONU e Controvérsias

O “Conselho de Paz” será formalmente estabelecido à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, com Donald Trump presidindo a cerimônia de assinatura. Ele detém o poder exclusivo de decidir sobre a composição do conselho e de exercer o direito de veto.

Um comitê executivo foi nomeado, composto por figuras de confiança de Trump, incluindo o Secretário de Estado Marco Rubio, seu genro Jared Kushner e o ex-Primeiro-Ministro britânico Tony Blair. Inicialmente, a Casa Branca solicitou uma contribuição de US$ 1 bilhão para garantir uma vaga permanente, embora tenha posteriormente esclarecido que as contribuições são voluntárias.

Em declarações recentes, Trump chegou a sugerir que o “Conselho de Paz” poderia “substituir a ONU”, mas ponderou que gostaria que a organização internacional continuasse a existir devido ao seu “grande potencial”. Essa afirmação gerou preocupação nas Nações Unidas, cujo porta-voz adjunto, Farhan Haq, declarou que a ONU “não se preocupa com outras organizações”, enfatizando que a organização multilateral continuará seu trabalho pela paz.

A iniciativa surge em um momento em que o governo Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, sob a justificativa de que estas “operam de maneira contrária aos interesses nacionais, à segurança, à prosperidade econômica ou à soberania dos EUA”. Com Opera Mundi

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