
O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, que está detido pela morte de dois colegas em Barueri, na Grande São Paulo, enfrenta novas acusações graves. Ele é investigado por episódios anteriores de violência doméstica, incluindo o espancamento de sua própria sobrinha, além de ameaças à sua ex-mulher.
As informações revelam um histórico preocupante do profissional de saúde, que agora responde pelo duplo homicídio dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinicius dos Santos Oliveira. A investigação sobre os crimes anteriores busca entender a extensão de sua conduta violenta.
De acordo com relatos obtidos pelo portal Metrópoles, o médico teria agredido a sobrinha com chutes e socos na cabeça durante um encontro familiar. A vítima, à época com 26 anos, tentou intervir em uma discussão onde o tio estaria embriagado e agredindo o próprio filho. Conforme o relato da sobrinha à polícia, Carlos Alberto possuía problemas psiquiátricos e já haviam tido desentendimentos antes do episódio.
Agressão à sobrinha e ameaça à ex-mulher
A ex-mulher do médico, presente durante a agressão à sobrinha em maio de 2024, no Guarujá, litoral paulista, confirmou à polícia ter sido ameaçada de morte pelo então marido. Ela posteriormente obteve uma medida protetiva na Justiça, impedindo que ele se aproximasse ou mantivesse contato com ela.
Carlos Alberto apresentou uma versão diferente dos fatos em seu depoimento, alegando que a reunião familiar era para mobiliar o apartamento do filho e que a discussão começou por motivos banais. Ele afirmou que a sobrinha teria arremessado uma garrafa em sua cabeça, provocando um corte, e que ele apenas revidou.
Caso arquivado e disputa profissional como linha de investigação
O caso de agressão à sobrinha foi arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A promotora Juliana Montezuma Lacerda Haddad justificou a decisão pela falta de exame de corpo de delito para comprovar oficialmente as agressões, apesar de a vítima ter apresentado fotos dos hematomas. “Da análise da prova colhida em sede policial, não é possível concluir, de forma suficientemente segura para o oferecimento de denúncia, como se deu a dinâmica dos fatos, porquanto ausentes elementos probatórios nesse sentido”, afirmou a promotora.
Paralelamente, as investigações sobre o duplo homicídio em Barueri apontam para uma possível disputa profissional como motivação. Carlos Alberto e Luís Roberto Pellegrini Gomes eram donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar. O delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso, informou ao Metrópoles que eles “disputavam esses contratos”. Vinicius dos Santos Oliveira, a segunda vítima, trabalhava para Luís Roberto.
Duplo homicídio após discussão em restaurante
Carlos Alberto foi preso após atirar contra os médicos Luís Roberto e Vinicius em frente a um restaurante de luxo. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o médico chega, cumprimenta os colegas e inicia uma discussão que evoluiu para agressões físicas dentro do estabelecimento. Após deixarem o restaurante, o agressor retornou armado e efetuou os disparos.
Testemunhas relataram que guardas civis municipais haviam sido acionados antes dos tiros, mas nenhuma arma foi encontrada com Carlos Alberto na ocasião. Ele foi liberado, mas retornou momentos depois e cometeu o crime. Há relatos de que a arma teria sido entregue a ele por uma mulher.
A empresa de Carlos Alberto, a Cirmed Serviços Médicos, divulgou nota afirmando que o episódio ocorreu em âmbito pessoal e não reflete os valores da instituição. As investigações seguem para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio e apurar outras possíveis responsabilidades relacionadas ao histórico de violência do médico.



